28 de maio de 2013

Clube Ornitológico de Castro Verde

Cante Alentejano


Grupo Coral e Etnográfico Os Cardadores da Sete - Castro Verde

El Arte de Vivir el flamenco

 







FANDANGOS. Es un cante perteneciente a toda la región de Andalucía, copia de los cantes Árabes, divulgado principalmente en Andalucía, de este cante se han sacado muchos estilos personales y en cada provincia Andaluza se le a dado un nombre, si tuviera que nombra a todos los maestros de este estilo que le dieron su creación personal no tendría espacio suficiente porque fueron muchisimos. 
FANDANGOS DE LUCENA. Cante de la citada localidad Cordobesa, propio a tantos estilos de Fandangos como existen en toda la provincia de Andalucía. 
FANDANGOS DE HUELVA. Cantes pertenecientes a toda la provincia de Huelva, y en cada localidad se le dio un nombre perteneciente a su región.
 
FANDANGUILLOS. Es un cante levantino perteneciente a los estilos de fandangos popularmente conocidos en toda la región de Andalucía, cantes mas alargados de forma de pronunciar, incluso folklóricos, es de poder y de mucho estilo, es también principalmente bailable en cada comarca de Andalucía, incluso acompañado con orquestas a estilos de pasodobles.

Sounds from web

25 de maio de 2013

23 de maio de 2013

Cante Alentejano



Following international recognition of Fado, Portugal recently submitted to UNESCO the polyphonic songs of the Alentejo, known as Cante Alentejano, or just Cante, as an Intangible Cultural Heritage of Humanity.
This film will be a journey into the hot Alentejo countryside (Southern region of Portugal) discovering Cante music and the life of its performers.
Not many people outside Portugal know about these a capella polyphonic choirs, typically formed by 20 to 30 male agricultural workers or miners, that seem to express the deep voice of the Earth.
With the international recognition of Cante by UNESCO (2014), the conflict between tradition and modernity is getting very strong. What does this regional musical tradition mean nowadays and for whom? Is it still possible for a regional expression to survive under the pressure of mass cultural globalization? Do the new generations find a feeling of belonging in this culture? Can some modern versions of Cante be accepted by the representatives of the original tradition?

22 de maio de 2013

Central nuclear japonesa construída sobre falha sismica ativa




Relatório da agência nuclear japonesa condena futuro da central de Tsuruga, numa altura em que o Governo pretende relançar a produção de energia atómica, quase paralisada desde o acidente de Fukushima.


Uma falha sísmica ativa existente sob o local onde está instalado um dos dois reatores da central nuclear japonesa de Tsuruga, na zona oeste central do país, torna praticamente impossível o regresso à atividade da central. A notícia foi revelada hoje pela agência nuclear japonesa, que concorda com a conclusão de um estudo que dá conta que um sismo pode ocorrer a qualquer momento e causar um acidente de consequências trágicas.
Num país ainda mal refeito do desastre nuclear de Fukushima, ocorrido a 11 de março de 2011, a divulgação deste relatório põe em causa o regresso da central de Tsuruga à atividade, falando-se até no quase inevitável desmantelamento da unidade.
Acresce que a revelação deste caso ocorre na altura em que a central de Tsuruga tinha em desenvolvimento a possibilidade de instalação de outros dois reatores. Os túneis subterrâneos de acesso entre as duas unidades, a já existesnte e a futuyra, já tinham sido construídos.
O reconhecimento oficial da existência da falha sísmica ativa sob o reator nr. 2 da central deixou patente, também, a negligência assumida, durante décadas, quer pelo operador da central, a Companhia Japonesa de Energia Atómica, quer pelo regulador nacional, apesar das advertências sempre colocadas por sismólogos.
A agência nuclear japonesa investiga presentemente outras cinco centrais nucleares em todo o país, temendo precisamente que tenham sido construídas sobre falhas sísmicas ativas.

Japão dividido


O episódio hoje tornado público está a ser entendido no Japão como um teste crucial à autoridade da agência nuclear japonesa, que enfrenta a pressão colocada não só pela indústria mas também pelo Governo, de tendência pró-nuclear, que pretende autorizar o regresso à atividade da central de Fukushima, suspensa desde o desastre de há dois anos.
Com exceção de dois, todos os 50 reatores nucleares viáveis existentes no Japão continuam parados desde o terramoto (e o tsunami que se lhe seguiu) que vitimou Fukushima e causou 19.000 mortos e desaparecidos.
O desastre motivou no país uma onda antinuclear e reforçou a independência da agência nuclear japonesa enquanto regulador. Mas desde que tomou posse, em dezembro, o primeiro-ministro Shinzo Abe rapidamente tentou reverter a situação, insistindo repetidamente na necessidade do regresso à atividade dos reatores considerados seguros.

21 de maio de 2013

A Fukushima, des "nettoyeurs" irradiés et sous-payés

 


Ils sont toujours plus de 3 000 "nettoyeurs" à se relayer sans cesse sur la centrale détruite de Fukushima. Deux ans après la catastrophe nucléaire, les polémiques n'en finissent pas sur les conditions de travail de ces liquidateurs qui, loin de s'améliorer, sont toujours plus alarmantes. Le 22 avril, l'Asia-Pacific Journal a publié une tribune de Sumi Hasegawa, chercheuse à l'université McGill de Montréal, qui met en évidence la pénibilité des taches confiées aux ouvriers de la centrale.

 

Cette lettre ouverte est adressée au premier ministre et au ministre de la santé japonais, ainsi qu'à la direction de Tepco. La compagnie d'électricité est mise en cause dans des reportages diffusés récemment au Japon et qui mettent en évidence la détérioration de la situation des employés de la centrale.
Ils reçoivent des doses de radioactivités très élevées. En trois mois, ils peuvent accumuler jusqu'à 50 mSv (millisievert). Mais c'est bien pire pour ceux qui sont embauchés pour ramasser les débris. En quelques jours, certains auraient reçu jusqu'à 100 mSv, le seuil limite en France pour cinq années consécutives. Beaucoup ne passent jamais de tests ou sont autorisés à continuer leur travail alors qu'ils ont dépassé les taux réglementaires. Face aux critiques qui s'accumulent depuis deux ans, la firme s'est décidée à réagir.
DES OUVRIERS SOUMIS À DES TAUX DE RADIOACTIVITÉ INQUIÉTANTS
Elle a transmis un sondage à ses ouvriers en novembre 2012, afin d'avoir une idée plus précise de leurs conditions de travail. Ils sont 3 186 à avoir répondu, mais ce questionnaire est loin de faire l'unanimité. 

Dans un article publié dans le mensuel japonais Sekai, on apprend que certains ouvriers ont subi des pressions pour "ne rien écrire qui sorte de l'ordinaire". L'émission de radio "Hôdô suru rajio" affirme même que d'autres ont dû  remplir le questionnaire devant leur patron ou qu'on l'a complété à leur place...
Malgré ces tentatives de dissimulations, les résultats sont alarmants. La moitié des travailleurs présents sur la centrale ne seraient pas employés légalement : la compagnie pour laquelle ils travaillent et celle qui verse leur salaire sont en fait différentes. Tepco profite de ce flou juridique et dément toute responsabilité dans la dégradation des conditions de travail et dans la baisse des salaires. Pour les dirigeants de la compagnie, "ces ouvriers sont engagés par des sous-traitants et nous n'avons donc pas connaissance de leur rémunération. Nous ne pouvons pas parler du fonctionnement des compagnies avec lesquelles nous n'avons pas de contrat".
Si le volume de travail a augmenté, les salaires, eux, ont baissé. Peu après la catastrophe, Tepco avait annoncé une baisse de 20 % des rémunérations et la suppression des primes de risque pour faire face aux coûts exorbitants de la catastrophe. Dans le sondage commandé par l'entreprise, 5 % des employés ont déclaré gagner moins de 837 yens de l'heure (un peu plus de 6 euros), une somme inférieure au salaire minimum en vigueur à Tokyo. La grande majorité aurait un salaire à peine supérieur pour des taches à hauts risques.

in
Le Monde | • Mis à jour le

Par Olivier Mary

 

 

MASTER CLASS de instrumentos de sopro Associação Musical da Pocariça

canario timbrado español - Spanish timbrado canary bird from Spain

WORLD MUSIC - FADO


La Federazione Ornicoltori Italiani (F.O.I.)

    La Federazione Ornicoltori Italiani (F.O.I.)

Miyoko Shida Rigolo



Miyoko Shida

19 de maio de 2013

Spanish timbrado canary bird from Germany

XXXIII FESTIVAL DE LA GUITARRA DE CÓRDOBA 2013


El arte de vivir el Flamenco


Salvador Dali


Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de Maio de 1904 — Figueres, 23 de Janeiro de 1989), conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do Renascimento. 

O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. 
Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Ele colaborou com a Walt Disney no curta de animação Destino, que foi lançado postumamente em 2003 e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound.Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista.

Dalí insistiu em sua "linhagem árabe", alegando que os seus antepassados eram descendentes de mouros que ocuparam o sul da Espanha por quase 800 anos (711 a 1492), e atribui a isso o seu amor de tudo o que é excessivo e dourado, sua paixão pelo luxo e seu amor oriental por roupas. Tinha uma reconhecida tendência a atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, já que sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho artístico.

16 de maio de 2013

Prémio Rainha Sofia evidencia «a importância da poesia portuguesa»

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nuno Júdice, hoje distinguido com o Prémio Rainha Sofia, afirmou que o galardão ajudará à projecção da sua obra, e sublinhou que evidencia «a importância da poesia portuguesa» no contexto ibero-americano.

«Vai dar projecção à minha obra, mas mais importante que isso, mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante neste contexto [ibero-americano]», disse à Lusa o autor, que confessou estar «contentíssimo» como o galardão.
Nuno Júdice que está publicado em Espanha e em vários países da América Latina reconheceu que é «razoavelmente conhecido, mas não foi isso que terá contribuído para o prémio», que foi «uma surpresa quando soube hoje de manhã».
O poeta está a trabalhar num novo livro de poesia, ainda sem título, que «deverá ser editado no final deste ano ou no princípio do próximo».
Nuno Júdice, de 64 anos, é autor de 30 livros de poesia, entre eles, «A matéria do poema» e «Guia dos conceitos básicos», editado em 2010.
O autor, que começou a publicar poesia em 1972 - «A noção do poema» e «O pavão sonoro» -, tem escrito também obras de ensaio, teatro e ficção.
Além do universo hispânico, Nuno Júdice tem obras traduzidas em Itália, Inglaterra e França.
A obra de Nuno Júdice tem sido distinguida com vários galardões, e em 1994 foi finalista do Prémio Europeu de Literatura.
Diário Digital com Lusa

15 de maio de 2013

FESTIVAL DE LA VOIX A COLOMBES



Initié par la Ville, le Festival de la Voix rassemble différents acteurs culturels autour d'un thème porteur, « parlant » à tous les publics.

Portugal, lugar de aves raras


 



Para os turistas estrangeiros, já não somos apenas o país do sol, praia e golfe. 

Há cada vez mais amantes da natureza que vêm para... observar pássaros. O turismo ornitológico é um nicho de mercado com muito potencial para crescer, que todos os anos atrai birdwatchers à procura de raridades que não existem nos seus países.
Há vinte anos, quando Frank McClintock decidiu tornar-se promotor e guia ornitológico, não tinha a casa cheia como tem hoje. À mesa de jantar, 15 turistas estrangeiros, quase todos ingleses, capazes de atravessar o mundo para ver aves. Frank e a mulher Daniela estão à cabeceira da mesa, rodeados pelas duas filhas . É neste ambiente familiar, intimista, que o casal, ele inglês e ela austríaca, recebe os clientes na Quinta do Barranco da Estrada, uma casa rodeada por água, flores e vegetação luxuriante, que Frank converteu em turismo rural no concelho de Odemira.
O entardecer aqui ganha tonalidades mágicas. O sol, apesar de baixo a esta hora, atravessa uma janela que ocupa uma parede inteira da sala de jantar. Quando os dias estão assim, primaveris, esta janela fica sempre aberta, deixando entrar o cheiro intenso a flor de laranjeira misturado com jasmim, o chilrear dos pássaros e o som de um riacho. Aberta, esta janela é um quadro vivo de onde se vê, a alguns metros de distância, a lagoa formada pela barragem de Santa Clara.
Para os turistas que estão sentados à mesa da família McClintock, a saborear a sopa de alho-francês com queijo parmesão feita por Daniela, não é irrelevante este cenário idílico, mesmo que o isco que os traz aqui seja a observação de aves. «Já dormi em muitos hotéis, visitei muitos países, mas acho que não exagero se disser que isto é um paraíso», diz George Kerwin. O britânico de 60 anos, ex-empresário reformado da indústria metalúrgica, tem razão. 

Se o paraíso existe, mora aqui e essa é uma mais-valia que a cada ano que passa atrai mais birdwatchers à Quinta do Barranco da Estrada. «Neste momento, oitenta por cento dos nossos hóspedes são birdwatchers », revela Frank. O galês Mathew Cohen, 36 anos, informático, é outro. Ganhou o gosto pela observação de aves aos 6 anos, na escola, e depressa a tomou como uma paixão. Hoje, é também um vício que mata nos períodos de férias, nem que tenha de prescindir da companhia da namorada. «Ela está a fazer praia na Turquia. Vai lá estar oito dias, tantos quantos os que eu vou ficar aqui.» E ri, antes de soltar o desabafo: «A minha namorada está num hotel com duas mil pessoas e eu estou a partilhar esta deliciosa comida com um pequeno grupo divertido que conheci há umas horas.

 Sabem, em 11 anos de relação, a minha namorada ainda não percebe o meu fascínio pelos passarinhos.» Mas os pais de Mathew sim. Peter e Margareth Cohen são observadores de aves graças ao filho. Por isso vieram com ele. «Quando chegava a casa depois de uma saída ao campo falava, falava, mostrava as fotografias dos pássaros e pedia para comprar livros», diz Margareth. «Uma obsessão. E nós acabámos por nos apaixonar por isto também.» Apaixonaram-se tanto que agora já seguem os roteiros mundiais da observação de aves, sempre com o filho. «No ano passado estivemos num safari no Gabão. Vimos elefantes, leões, tigres e, claro, muitas espécies de pássaros», acrescenta Mathew.
É a primeira vez que os Cohen estão em Portugal. Souberam que o Alentejo era uma das melhores regiões para observar aves através de um dos sites de Frank: «Assim que vimos, não hesitámos.» Mathew não disfarça a ansiedade na voz. Daqui a umas horas vai meter-se a caminho com Frank e o resto do grupo. Quem contrata os serviços de Frank McClintock como guia ornitológico tem de acordar de madrugada para fazer-se à estrada. Existe uma razão para madrugar. «Há aves que só se mostram na primeira hora de sol, a hora a que os ingleses chamam heat-haze », diz Frank «É muito importante estar no sítio certo à hora certa.» O casal de escoceses do grupo sabe isso. 

Nessa manhã, eles já tinham feito o percurso com Frank e testemunharam a vida ornitológica nas planícies alentejanas, no momento em que o Sol nasce. Eram 04h50 quando, ainda ensonados, John e Katelyn Wilson, médicos aposentados, apareceram na recepção. A hora de saída é tão importante que, para evitar atrasos, Frank bate à porta dos hóspedes vinte minutos antes. Batida forte, impossível de ignorar até por quem tem o mais pesado dos sonos.
Ao fim de uma hora de carro chegaram a Castro Verde, onde beberam um galão e comeram uma sanduíche de queijo, a primeira refeição do dia. 

Embora o Turismo de Portugal não tenha dados sobre o impacte do birdwatching na economia local, tudo leva a crer que não seja de desprezar. Frank faz questão de levar os clientes aos cafés e tascas do interior alentejano porque é «uma forma de deixar algum dinheiro nestes negócios locais». É o pequeno-almoço no Café Campo de Ourique, em Castro Verde, é uma garrafa de água na taberna da Josélia, na aldeia de Corte Pequena, e antes do regresso a casa é um café com leite no tasco do Afonsus, na aldeia de Penilhos. Lurdes Serpa Carvalho, investigadora do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, está a terminar uma tese de doutoramento sobre os serviços dos ecossistemas e seu valor económico em Portugal continental e, embora não possa adiantar números sobre esse impacto na economia local, confirma que «ao valor natural dos locais visitados pelos birdwatchers associa-se, de facto, um valor económico para as populações aí residentes».
Reformados e com dinheiro
O almoço, como acontece sempre nas saídas organizadas por Frank, foi no meio do campo: uma sanduíche de queijo e fiambre com pimento vermelho e, como sobremesa, umas barras de chocolate. Tudo preparado por Daniela. Nunca uma refeição tão simples soube tão bem a John e Katelyn. Para observar aves, eles não se importam de comer «qualquer coisa fria, leve e rápida», sentados no chão. Isto apesar de serem «bons garfos» e «apreciadores de bom vinho, boa comida e bons restaurantes», uma caraterística comum aos birdwatchers estrangeiros que todos os anos chegam a Portugal. Também são, na esmagadora maioria, reformados, têm mais de 60 anos, formação escolar elevada e poder de compra médio/alto e alto, de acordo com o perfil traçado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).
A rota que Frank definiu para percorrer com o casal de escoceses engloba pontos de observação onde sabe que vai encontrar aves que não veem com facilidade no seu país. Ou noutros no Norte da Europa. Isso é, aliás, o que move todos os birdwatchers . Depois de Castro Verde, seguiram para Nossa Senhora de Aracelis, passaram por Corte Pequena e terminam a jornada em Penilhos, concelho de Mértola . Parece pouco, mas este percurso leva dez horas a fazer. Apesar do cansaço, os escoceses estavam radiantes. Viram o tartaranhão-caçador, o chasco-ruivo, o cortisol-de-barriga-negra, a águia-imperial, a águia-de-bonelli, a águia-real, a rola-brava, entre 50 outras espécies, contabilizadas por Frank. Mas num dia bom - com sol e sem vento - «é habitual encontrarmos entre 65 e 70 espécies no Alentejo».

 Algumas, como estas, estão em risco por causa dos inseticidas aplicados nas culturas. Os insetos são a base da alimentação de aves e se não se mudar o modo de produção agrícola, algumas espécies poderão desaparecer desta região. Para o biólogo e membro da SPEA, Domingos Leitão, «a principal ameaça é a pressão direta sobre os habitats». Por esse motivo, acrescenta o técnico, «a águia-imperial, ibérica, a água-de-bonelli, o abutre-preto, a abetarda, o sisão, a freira-da-madeira e a freira-do-bugio (na ilha da Madeira) e o priolo (nos Açores), são algumas das muitas espécies em Portugal ameaçadas de extinção.»

«Vejam ali, ali, à direita daquelas árvores. Duas abetardas, estão a ver?» Frank parou o jipe e John e Katelyn saíram do carro. Com os olhos nos binóculos, soltaram, espantados, um « uauuuu, it"s beautiful». Nunca tinham visto uma abetarda, uma das espécies mais emblemáticas do Alentejo. Apesar de ser a mais pesada das aves europeias, é dificilmente observável. «É tímida e a população está a decrescer», explica Frank. «Na Europa, encontra-se apenas na Rússia e na Península Ibérica». Em Portugal, o número de indivíduos está a crescer devido à implementação de medidas de proteção, caso único no mundo inteiro.
Às três da tarde era hora de regressar à Quinta do Barranco da Estrada, e ainda a tempo de apanhar o sol do entardecer.


 A lagoa dos Salgados, em Silves, não estava no percurso, mas, fora das planícies alentejanas, é um dos locais a que Frank gosta de levar os clientes. «É a última lagoa em estado selvagem que resta no Algarve», onde ainda é possível observar várias espécies de aves migratórias. Ainda, mas não por muito mais tempo. É que neste local, consagrado internacionalmente como privilegiado para o birdwatching - onde acorrem e nidificam algumas espécies de aves em perigo de extinção -, está prevista e aprovada a construção de um resort de luxo com três hotéis de cinco estrelas, cinco aldeamentos, um campo de golfe e estabelecimentos comerciais. 

«Um crime ambiental» que levou o inglês a juntar-se à Plataforma dos Amigos da Lagoa dos Salgados, de que fazem parte 11 organizações, que entre outras formas de luta criou uma petição online , já assinada por milhares de pessoas em todo o mundo.

Três mil portugueses
Há mais de trinta anos que se faz observação de aves em Portugal, mas até há pouco tempo estava sobretudo «associada às atividades de anilhagem e estudo» . Só nos últimos anos é que tem motivado a visita de turistas estrangeiros, sobretudo ingleses, e, em consequência, o aparecimento de empresas e agências de turismo ornitológico. Uma das primeiras foi a Birds & Nature. Surgiu em 2007 e ainda hoje é a única que se dedica exclusivamente ao birdwatching em Portugal. João Jara, fundador e proprietário, diz que o negócio «está a crescer cerca de vinte por cento ao ano, o que é bom tendo em conta a crise atual». Ao contrário de Frank McClintock, que ao longo de vinte anos como guia ornitológico só tem na sua lista de clientes turistas estrangeiros, João também faz programas para portugueses, incluindo workshops . «O mercado nacional ainda não tem expressão, mas noto que entre os portugueses o interesse pela observação de aves começa a despertar.» Se o número de sócios da SPEA equivaler ao número de birdwatchers nacionais, então em Portugal haverá três mil. Muito residuais, se compararmos por exemplo com o milhão e meio de ingleses praticantes desta atividade. 

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