1 de dezembro de 2014

Cantares ao desafio



Depois do Fado e do Cante a Alentejano classificados como Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), agora é a vez dos Cantares ao Desafio almejarem igual distinção.

Esse foi o desejo manifestado por Carlos Silva, do Grupo Ideia 5, que promoveu, ontem, em Vila Verde, uma maratona de Cantares ao Desafio intitulada ‘Desafios e seus Fundamentos’, integrada no encerramento da Rota das Colheitas, numa co-organização da Câmara Municipal de Vila Verde e com o apoio da EPATV — Escola Profissional Amar Terra Verde.

“Pensamos nesta maratona de cantares ao desafio, uma vez que tem uma forte expressão no Minho e nós queremos que seja a semente para candidatarmos os Cantares ao Desafio a Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta é apenas uma semente que tem que ser, naturalmente, consolidada, bem maturada e alargada à participação de vários municípios e organismos, no sentido de todos em comum possam dar o seu contributo para que se possa elaborar uma candidatura bem sustentada de cantares ao desafio a património”, sustentou Carlos Silva.
Tendo Vila Verde, como pivôt desta aspiração dos Cantares ao Desafio a Património, o próximo passo é “reunir aqueles que são os verdadeiros intérpretes dos cantares ao desafio, aqueles que dão expressão a esta arte popular e sustentar com estudos académicos que abordem as origens e todas as vertentes ligadas ao cantares ao desafio, das quadras, o improviso e os instrumentos.
Segundo Carlos Silva, “os cantares ao desafio tem todos os condimentos, tal como o fado e o cante alentejano, para se tornar um bem imaterial da humanidade. Vila Verde será pivot no sentido de agregar outros municípios”.
Pelo palco montado na Praça de Santo António, em Vila Verde, passaram mais de três dezenas de cantadores e cantadeiras do desafio e das desgarradas que animaram a tarde de ontem que foi brindada com sol.
Entusiasmados com o espectáculo popular que estavam a assistir, Manuel Monteiro e Rosa Cerqueira consideram que é “muito importante preservar a cultura popular do Minho como é o caso dos cantares ao desafio e do folclore”.
A festa popular pretendeu também homenagear publicamente dois cantadores vilaverdenses Cunha e Pêta (Manuel Alves). Estes dois nomes celebrizados nas décadas de 70 e 80, continuam a ser referências para as novas gerações de todo o Minho, a par de Marinho e Delfim, de Ponte da Barca que também marcaram presença no evento.
in http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=82884