30 de outubro de 2007

Carlos Té, Rui Veloso






Porto Sentido

Quem vem e atravessa o rio

Junto à Serra do Pilar

Vê um velho casario

Que se estende até ao mar


Quem te vê ao vir da ponte
És cascata sanjoanina
Erigida sobre um monte
No meio da neblina

Por ruelas e calçadas
Da Ribeira até à Foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós

Esse teu ar grave e sério
Num rosto de cantaria
Que nos oculta o mistério
Dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonada
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói o sentimento

E é sempre a primeira vez
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa




Letra e Música:Carlos Tê/ Rui Veloso
In «Rui Veloso», 1986

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay