22 de abril de 2008

Saramago considera exposição na Ajuda uma revolução


Saramago gostava de andar aos pássaros , adorava a casa de telha onde viviam os avós porque acima de tudo os adorava "Ele gostava das férias porque podia rever o avô Jerónimo e ajudá-lo a tomar conta dos bacorinhos e ver o anoitecer deitado sob a oliveira grande que havia no quintal lá de casa. O meu primo era um rapaz tão bonito, tão elegante! E detestava que falassem alto na rua. Quando estava à mesa a almoçar ou a jantar tinha sempre um livro que ia lendo enquanto comia. Os livros eram uma grande paixão".

O escritor José Saramago considerou hoje que a exposição «A Consistência dos Sonhos» é uma revolução nas exposições bibliográficas tradicionais pela forma inovadora como foi concebida pela Fundação César Manrique.
Falando numa conferência de imprensa no Palácio da Ajuda sobre a exposição que será inaugurada quarta-feira, o Nobel da Literatura admitiu que só agora irá ver em pormenor esta mostra com mais de 1200 documentos sobre a sua vida e obra.
«Por motivos de saúde que todos conhecem quando a exposição inaugurou em Lanzarote não a vi como se justificava», recordou José Saramago, comentando que se sente bastante melhor neste momento e já recuperou 13 quilos.
O escritor confessou ter tido uma «fortíssima impressão» quando voltou hoje a percorrer a exposição e afirmou-se «perplexo» pela quantidade do seu trabalho.
Produzida pela Fundação César Manrique, sediada em Lanzarote, onde o Nobel da Literatura português reside com a mulher, Pilar del Rio, a exposição «José Saramago.
A Consistência dos Sonhos», tem por objectivo mostrar a obra literária e o pensamento crítico do escritor.
Está estruturada em três grandes núcleos, abrindo com uma projecção vídeo de Charles Sandison e terminando com uma autobiografia do escritor, reunindo ainda obras inéditas, manuscritos, notas pessoais, primeiras edições e fotografias.
Em Portugal, a exposição foi alargada para incluir documentação da BNP, nomeadamente outras obras do Nobel da Literatura, como «O Ano da Morte de Ricardo Reis», e correspondência de José Saramago com outros escritores, entre os quais José Rodrigues Miguéis e Adolfo Casais Monteiro.
A maior mostra jamais realizada sobre a vida e obra de José Saramago possui uma forte componente multimédia, com recurso a suportes digitais e audiovisuais, bem como obras de artes plásticas da colecção de José Saramago, de autores como Rogério Ribeiro, David de Almeida, José Santa-Bárbara, Júlio Pomar e Antoni Tápies, entre outros.
A exposição estará patente na Galeria D. Luís I até ao dia 27 de Julho de 2008, saindo depois em itinerância para Madrid e para várias capitais da América Latina.
Diário Digital / Lusa

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