

Os portugueses valorizam pouco a água e não estão alerta para a escassez mundial porque em Portugal esse recurso é barato, cujo aumento tem sido evitado pelos responsáveis políticos, apontou hoje a socióloga Luísa Schmidt.
A socióloga, especialista em Ambiente, interveio na Tribuna da Água da Exposição Internacional de Saragoça, Espanha, num fórum sobre Água e Cultura.
«A água tem usufruído em Portugal daquilo que se chama o preço político, que faz com que não se pague o verdadeiro valor da água», afirmou à Lusa a professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Esse «preço político» traduz-se no facto de «as autarquias reduzirem os preços para as pessoas não sentirem», já que «as pessoas reagem muito menos a um aumento da electricidade, por exemplo, que pode ser muito maior, que a um aumento de água».
«É como se tivessem adquirido aquele direito e querem continuar a pagar 10 ou 15 euros», afirmou.
Luísa Schmidt alerta que «a água está muito barata, vai ter que subir, mas as pessoas vão ter que perceber o valor daquele elemento» e para isso será necessário «criar um volume de informação e preocupação que, sem ser alarmista, leve as pessoas a perceberem o valor intrínseco daquele elemento».
O preço baixo da água é um dos motivos apontados pela autora do documentário «Portugal, um retrato ambiental» para o que considera ser a falta de consciência dos portugueses para a escassez daquele recurso.
«À excepção do sul, as pessoas não relacionam a água da torneira com a sua captação», afirmou, sublinhando que para a maioria da população «basta abrir a torneira que ela vai pingar quase como por milagre».
Para a socióloga, esta é uma «questão cultural e de desinformação» a que também não é alheio o papel da comunicação social.
Um estudo concluído pela socióloga em 2000 demonstrou que «quanto mais aumenta a cobertura dos media mais aumenta a preocupação do público sobre o estado da água».
Os portugueses, sobretudo os mais velhos, têm uma «memória magoada» por terem «perdido a liberdade e o direito de usufruir dos rios» e um inquérito de 2004 demonstrou que «um rio poluído é a paisagem ambiental mais chocante», seguida de um incêndio.
Os meios de comunicação social, nomeadamente no final dos anos 1990, quando «a discussão sobre o plano hidrológico espanhol amainou» ao mesmo tempo que «deixou de haver tantas mortandades visíveis de peixes», abandonaram a abordagem ambiental das notícias sobre água.
«Também houve um efeito de saturação. Os media saturaram-se de estar sempre a dar o mesmo tipo de notícias sem grandes efeitos», avançou a especialista.
As questões da água começam a aparecer na comunicação social «como um negócio, ligado à Economia, à gestão, às questões da privatização», uma tendência que segundo a socióloga se mantém actualmente.
Para Luísa Schmidt, a criação das cinco administrações regionais hídricas constitui uma «oportunidade única para trazer o problema para cima da mesa».
A socióloga defende um maior envolvimento da comunicação social, que, considera, ao nível local deveria inclusivamente vir a integrar os «conselhos de bacia», como «forma de adquirir conhecimento para o poder transmitir e perceber a seriedade dos problemas que estão em causa».
A Expo2008 decorre até 14 de Setembro num recinto de 25 hectares junto ao Rio Ebro, contando com a participação de 105 países. Água e Desenvolvimento Sustentável é o tema da mostra.
O pavilhão de Portugal aborda a relação hídrica com Espanha e os rios transfronteiriços, Tejo, Douro e Guadiana, que são simultaneamente as mais importantes bacias hidrográficas nacionais.
Diário Digital / Lusa
A socióloga, especialista em Ambiente, interveio na Tribuna da Água da Exposição Internacional de Saragoça, Espanha, num fórum sobre Água e Cultura.
«A água tem usufruído em Portugal daquilo que se chama o preço político, que faz com que não se pague o verdadeiro valor da água», afirmou à Lusa a professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Esse «preço político» traduz-se no facto de «as autarquias reduzirem os preços para as pessoas não sentirem», já que «as pessoas reagem muito menos a um aumento da electricidade, por exemplo, que pode ser muito maior, que a um aumento de água».
«É como se tivessem adquirido aquele direito e querem continuar a pagar 10 ou 15 euros», afirmou.
Luísa Schmidt alerta que «a água está muito barata, vai ter que subir, mas as pessoas vão ter que perceber o valor daquele elemento» e para isso será necessário «criar um volume de informação e preocupação que, sem ser alarmista, leve as pessoas a perceberem o valor intrínseco daquele elemento».
O preço baixo da água é um dos motivos apontados pela autora do documentário «Portugal, um retrato ambiental» para o que considera ser a falta de consciência dos portugueses para a escassez daquele recurso.
«À excepção do sul, as pessoas não relacionam a água da torneira com a sua captação», afirmou, sublinhando que para a maioria da população «basta abrir a torneira que ela vai pingar quase como por milagre».
Para a socióloga, esta é uma «questão cultural e de desinformação» a que também não é alheio o papel da comunicação social.
Um estudo concluído pela socióloga em 2000 demonstrou que «quanto mais aumenta a cobertura dos media mais aumenta a preocupação do público sobre o estado da água».
Os portugueses, sobretudo os mais velhos, têm uma «memória magoada» por terem «perdido a liberdade e o direito de usufruir dos rios» e um inquérito de 2004 demonstrou que «um rio poluído é a paisagem ambiental mais chocante», seguida de um incêndio.
Os meios de comunicação social, nomeadamente no final dos anos 1990, quando «a discussão sobre o plano hidrológico espanhol amainou» ao mesmo tempo que «deixou de haver tantas mortandades visíveis de peixes», abandonaram a abordagem ambiental das notícias sobre água.
«Também houve um efeito de saturação. Os media saturaram-se de estar sempre a dar o mesmo tipo de notícias sem grandes efeitos», avançou a especialista.
As questões da água começam a aparecer na comunicação social «como um negócio, ligado à Economia, à gestão, às questões da privatização», uma tendência que segundo a socióloga se mantém actualmente.
Para Luísa Schmidt, a criação das cinco administrações regionais hídricas constitui uma «oportunidade única para trazer o problema para cima da mesa».
A socióloga defende um maior envolvimento da comunicação social, que, considera, ao nível local deveria inclusivamente vir a integrar os «conselhos de bacia», como «forma de adquirir conhecimento para o poder transmitir e perceber a seriedade dos problemas que estão em causa».
A Expo2008 decorre até 14 de Setembro num recinto de 25 hectares junto ao Rio Ebro, contando com a participação de 105 países. Água e Desenvolvimento Sustentável é o tema da mostra.
O pavilhão de Portugal aborda a relação hídrica com Espanha e os rios transfronteiriços, Tejo, Douro e Guadiana, que são simultaneamente as mais importantes bacias hidrográficas nacionais.
Diário Digital / Lusa