7 de fevereiro de 2009

Feiras de Caça: Gastronomia dinamiza interior






Os festivais gastronómicos alusivos à caça que se realizam nesta época estão mais associados a montarias a espécies de maior porte do que animais como a perdiz ou a lebre, já que a época dos caçadores acabou.
Nos últimos anos, as montarias a javalis e veados, mas também as esperas, passaram a integrar realizações de fim-de-semana que as autarquias promovem em conjunto com associações e clubes de caçadores, aproveitando para divulgar os recursos cinegéticos do interior e atrair visitantes.

«As montarias trazem muita gente de fora, são muito positivas para as regiões», declarou hoje à agência Lusa Luís Fernandes, presidente da Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral.
Nesta época, está proibido o abate do coelho-bravo, lebre e perdiz, sendo a maior aposta na caça grossa.
Quanto às aves em estado selvagem, agora é ainda possível a caça ao pombo-torcaz, pombo-bravo, tordo e galinhola.


Este fim-de-semana, decorrem festivais de caça na Vidigueira e em Gouveia, que atraem milhares de visitantes que procuram sentir na boca o sabor bravio de pratos como lebre com feijão, javali estufado ou tordos fritos. No terceiro Festival Gastronómico Sabores da Caça, a decorrer este fim-de-semana, na freguesia de Selmes, no concelho alentejano de Vidigueira, os «manjares» podem ser degustados nas tasquinhas, numa iniciativa da Junta e Câmara locais.
Além dos petiscos, o certame, que conta com 15 stands de empresas e instituições locais e duas exposições, uma de troféus de caça e outra de aves de rapina, inclui um concurso de culinária, uma montaria ao javali, actividades desportivas e vários espectáculos musicais.
O segundo concurso «A Caça na Culinária», hoje à tarde, vai pôr «à prova» pratos à base de peças de caça confeccionados por «cozinheiros amadores», ou seja, maiores de 15 anos e que não tenham profissões ligadas à culinária.

Na montaria, marcada para domingo de manhã, caçadores de vários pontos do país vão percorrer a zona de caça municipal de Alcaria para perseguir e tentar caçar javalis, explicou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Selmes, António d´Aguilar.
Frisando que todas as freguesias do concelho da Vidigueira têm um certame temático anual para «promover as suas potencialidades», o autarca explicou que Selmes, por ser «uma zona onde a caça abunda» e, por isso, «procurada por muitos caçadores», organiza o festival dedicado ao sector cinegético.
Actualmente, os caçadores, que «antes caçavam nos terrenos livres», caçam sobretudo lebres, perdizes, tordos e javalis nas três zonas de caça ordenadas existentes na freguesia e geridas por associações de caçadores locais, disse António d´Aguilar.
Segundo o autarca, o festival decorre no mês de Fevereiro, «quase no final da época venatória», porque «é quando os caçadores estão mais disponíveis».
«Nos meses mais fortes da caça, os caçadores aproveitam todo o tempo livre para caçar e não têm muita disponibilidade para este tipo de certames», justificou.
Mais a norte, a Câmara de Gouveia promove mais uma edição da «Feira do Campo e Caça», que inclui não apenas eventos gastronómicos mas outros temas ligados ao mundo rural.
A feira inclui 32 expositores e um restaurante de gastronomia de caça, explorado pelas associações de caçadores da região.
O presidente da Câmara, Álvaro Amaro, salientou à agência Lusa que esta iniciativa pretende «consolidar um nicho de mercado, que é o mundo rural e simultaneamente promover a economia local».
Para o autarca, «Gouveia tem vindo a afirmar-se nesta área e a aumentar o seu poder de atracção», e a prova disso é que «o parque hoteleiro já está cheio, com gente que veio de Faro a Bragança

Depois da inauguração, sexta-feira, da feira com o secretário de Estado da Protecção Civil, Miguel Medeiros, têm-se seguido várias iniciativas em que a caça é a estrela maior.
Do programa, consta ainda uma demonstração de cães de parar e uma outra de cetraria (arte medieval de caçar com aves).
No domingo, decorre a 7ª edição da «Montaria da Serra da Estrela», que segundo a organização, «constitui já uma referência para os amantes desta actividade».
Diário Digital / Lusa




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