29 de abril de 2009

Tauromaquia

touro bravo








Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.



Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas


entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.

Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo


pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas


entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas entram
galifões de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo

entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações

entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar
muita gente

que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.


Fernando Tordo : Tourada
Letra: Ary dos Santos

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay