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22 de outubro de 2009
Tutela investiga resíduos industriais perigosos em Alcanena
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) está a investigar a deposição ilegal de resíduos industriais perigosos num terreno em Alcanena, denunciada pela associação ambientalista Quercus e por uma reportagem da TVI.
Em comunicado divulgado terça-feira a Quercus apontava a deposição ilegal de resíduos industriais perigosos num terreno junto à auto-estrada A1, em Covão do Coelho, Alcanena, numa zona próxima de uma falha geológica em área de máxima infiltração no maciço calcário estremenho, junto do Parque Natural das Serras d´Aire e Candeeiros.
«As entidades inspectivas e fiscalizadoras do MAOTDR estão a proceder a diligências no sentido da recolha de provas quanto à responsabilidade das descargas, incluindo a recolha de amostras de resíduos para análise laboratorial», disse fonte da tutela, contactada pela Lusa.
No entanto e apesar de questionado nesse sentido, o MAOTDR não esclarece há quanto tempo tem conhecimento da situação. O Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus refere em comunicado que teve conhecimento de que uma empresa de transportes de Covão do Coelho, em Alcanena, estava a proceder ao depósito ilegal dos resíduos, situação também denunciada na passada sexta-feira na reportagem da TVI «Máfia Lusitana».
Numa deslocação ao local, a associação ambientalista «constatou que os resíduos foram enterrados e colocado saibro para os camuflar, sendo que a zona está próxima de uma falha geológica em área de máxima infiltração no Maciço Calcário Estremenho próximo da Serra de Aire, o que aumenta o risco de contaminação do aquífero e das nascentes e captações da região».
A nota refere os dados avançados na reportagem da TVI, de que os resíduos provêm da fábrica de pasta de Celulose Beira Industrial (Celbi) e que são transportados pela empresa Poderinova, de Covão do Coelho, que os deposita junto à auto-estrada, entre Minde e Fátima.
«Segundo as análises efectuadas, existem diversos resíduos com compostos perigosos para a contaminação dos solos e da água, com potenciais efeitos nefastos para a saúde pública», afirma o comunicado.
Questionada sobre a forma como é feito o controlo e fiscalização do transporte e deposição de resíduos perigosos em Portugal, a tutela afirma que essa responsabilidade cabe à Inspecção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território (IGAOT), juntamente com o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA/GNR).
Aquelas entidades, refere, procedem «regularmente a acções de fiscalização e controlo de transportes de resíduos no território nacional».
Diário Digital / Lusa
