Poderia não ser expectável, mas "as contenções [de despesas] estimularam a imaginação" e, por isso, o Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso arrisca, pela primeira vez, nomear um tema.
A 17.ª edição do certame, que "só não acabou ainda por ser já uma referência nacional" - avisou, ontem, na apresentação do programa, o autarca tirsense Castro Fernandes, aludindo ao facto de "os apoios económicos serem praticamente nulos" -, será dedicada às "Transcrições para guitarra". Ou seja, a meia dúzia de espectáculos previstos (entre 7 e 28 de Maio) contemplarão a interpretação de composições criadas para instrumentos que não a guitarra e que foram, depois, adaptadas para aquele cordofone.
O resultado do exercício de "imaginação" explicado por Alexandre Reis, da direcção artística do festival (a cargo do Centro de Cultura Musical e Artave - Escola Profissional Artística do Vale do Ave), levará a Santo Tirso "não os maiores artistas [que cobram 'cachets' mais elevados], mas os melhores".
E eles virão de três continentes - Europa, América e Ásia -, com destaque para Hopkinson Smith (Estados Unidos) e Alexey Arkhipovsky (Rússia). Munido de alaúde, o americano, intérprete de música antiga e barroca, encerra o certame. O russo, conhecido como um dos maiores executantes de balalaika, protagoniza, com música de fusão, o terceiro concerto do evento.
A abertura do festival repete o italiano Aniello Desiderio (tocou na edição anterior), que, desta vez, se apresenta com o seu Quartetto Furioso (guitarra clássica, violino, piano e percussão), formação invulgar para a interpretação de "As quatro estações", de Vivaldi e Piazzolla.
Segue-se o peruano Jorge Caballero e o representante português, Júlio Guerreiro, toca a 21de Maio. Denis Azabagic, da Bósnia, actua no dia seguinte, depois de orientar, entre as 10 e as 13 horas, uma masterclass de guitarra clássica.
