3 de julho de 2016

A Voz de Trás-os-Montes

Canários vão cantar e encantar em Vila Real










Está confirmado. Vila Real vai receber em Novembro o Campeonato Internacional de Canários de Canto. Inseridos no 1º Festival Ornitológico Transmontano, vão realizar-se ainda outros campeonatos, workshops e uma mostra com centenas de aves ‘de todas as cores e feitios”


Realizado pela primeira vez fora dos grandes centros, o Campeonato Internacional de Canários de Canto vai trazer até Vila Real, em Novembro, entre 200 e 300 pássaros que vão competir pelo título de melhor ‘cantor’.
Horácio Matos, presidente da direção da Associação Ornitológica de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTMAD), adiantou à VTM que deverão entrar na competição criadores de todo o país e espanhóis.
“O canário do canto (existe três espécies, Harzer, Malinois e o Timbrado Espanhol) é uma especialidade que exige algum conhecimento e muito ouvido. Os juízes têm as notas de cor na cabeça e os tempos corretos”, explicou o criador, referindo que os passarinhos participam na competição em grupos de quatro, em duetos ou individualmente.
Entre as curiosidades destas espécies ‘cantoras’, está ainda o facto do canário não poder ser ensinado, ou seja, ou tem o talento nos genes, ou não, o que leva a que os grandes criadores apostem em criações de mais de 500 animais para poderem escolher os machos mais habilidosos, uma vez que as fêmeas não cantam.
Para Horácio Matos, a criação de canários de canto exige algum trabalho, mas sobretudo muito gosto, já que, além dos cuidados habituais com a limpeza, a alimentação e na altura da criação, as pequenas aves têm que se “treinadas para cantar na altura certa”, ou seja, quando são colocadas perante o juiz e têm apenas 20 minutos para mostrar ‘o que valem’.
Se para alguns a criação de canários de canto não passa de um hobbie, em alguns países trata-se de uma verdadeira indústria. “Todos os pássaros aparecem nos catálogos das respetivas exposições e os premiados acabam por ter uma grande procura. As encomendas para as crias de um vencedor vêm do mundo inteiro”, frisou o dirigente associativo, revelando que na última competição mundial, realizada em Matosinhos, houve um português vencedor.
No distrito, explicou Horácio Matos, ainda é reduzido o número de criadores conhecidos, no entanto, para a competição de novembro já deverão participar alguns novatos na área. “Este ano ofereci alguns casais, um em Chaves, dois em Vila Pouca de Aguiar, um Alijó, dois em Vila Real. 


Espero ter concorrência. Os novos criadores já podem participar porque os passarinhos já vão nascer na casa deles e já foram encomendadas as anilhas”, adiantou.
Quem quiser assistir à competição poderá fazê-lo, sendo no entanto necessário ter alguns cuidados no momento da avaliação, como explicou o presidente da AOTMAD: 

“Na fase do concurso, a avaliação é feita numa sala recolhida, onde os juízes são instalados numa cabine própria.

Haverá algumas cadeiras para a assistência e a única coisa que se pede às pessoas é que entrem quando os pássaros estão a ser colocados perante os juízes, mas que a partir do momento em que o cronómetro começa a contar deverão estar sentadas e em silêncio até ao final da avaliação, que demora 20 minutos”.
A competição insere-se no 1º Festival Ornitológico Transmontano, que vai ainda ser palco do Campeonato Ornitológico, do Prémio para o Melhor Arlequim Português e de uma mostra que vai contar com mais 500 aves das mais variadas espécies, desde periquitos a patos e galinhas de fantasia, passando pelas caturras, papagaios ou roselas, entre muitos outros.
O evento, que vai decorrer entre os dias 25 e 27 de Novembro e vai contar ainda com várias palestras, espaço para venda de aves e uma quinta pedagógica, é organizado pela AOTMAD em parceria com Clube Arlequim Português, Clube Ornitológico de Santo Tirso e do Clube Português de Canários de Canto, e com apoio do Município de Vila Real e da Federação Ornitológica Nacional Portuguesa.

Maria Meireles