Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Birdwatching Portugal.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Birdwatching Portugal.. Mostrar todas as mensagens

25 de junho de 2009

Aniversário dos Amigos dos Castelos



Convidam-se todos os associados a participar no 26º Aniversário dos Amigos dos Castelos com um jantar histórico temático no Forte de São Bruno.
Jantar Histórico no Forte. No dia do 26º aniversário dos Amigos dos Castelos vamos recuar ao século XVII, recriando um jantar oitocentista, sentado, na bateria superior marítima do Forte de São Bruno em Caxias, com animação e recriação histórica de época.

24 de abril de 2009

O bando


Eles não são só um grupo, são um Bando Há dez anos trocaram a cidade pelo campo e agora, pela primeira vez, fazem uma temporada intensiva na sua quinta. Ana Dias Ferreira foi visitar o grupo de teatro O Bando. João Brites ainda se lembra do dia em que chegou àquela que viria a ser a quinta d’ O Bando, na Estrada de Vale dos Barris, em Palmela.
Foi há dez anos e havia lama até ao pescoço, ou quase. Onde hoje está uma sala de espectáculos para 120 lugares, uma sala pequena para peças infantis, um salão de acolhimento, uma cozinha, armazéns, oficinas e escritórios, ficavam pocilgas. Isso mesmo, pocilgas. Porcos já não havia, mas havia muito trabalho a fazer para transformar o espaço numa casa digna do grupo que nessa altura já contava 25 anos.
Mesmo assim, o primeiro espectáculo estreou pouco depois, a tirar partido de um cenário tão caricato.
Chamava-se precisamente A Porca, e era sobre uma mulher que se vai transformando em porca enquanto o homem de quem gosta se vai transformando em lobo. Quando a peça estreou, ainda havia muretes, e o público espreitava para o lugar da acção como se estivesse a espreitar... para uma pocilga.
Agora, durante três meses, o grupo recebe na sua quinta seis espectáculos diferentes a cada duas semanas, numa temporada intensiva como nunca tiveram até hoje: A Noite, Jerusalém, Os Henriques, A Cotovia e Amanhã são as cinco reposições que antecedem a estreia, a 28 de Maio, da nova criação, Crucificado, onde João Brites divide a encenação com Miguel Moreira e o grupo volta a pisar um dos muitos palcos que tem ao ar livre, nas encostas do vale.
Se há grupo que desenvolveu desde cedo um trabalho activo em espaços não convencionais de teatro, esse grupo é O Bando. Foi assim desde sempre. Mesmo quando o colectivo fundado por João Brites estava instalado no Teatro A Comuna ou, mais tarde, numa sala na Estrela, eram muitas as incursões e os estágios em pontos perdidos no interior do país, sem telefones, sem nada. Comboios, florestas, telhados, lagos, ruas, monumentos: o Bando já representou nesses sítios e em muitos mais. E é o único grupo de teatro português que tão depressa está no palco do Teatro Nacional D. Maria II a apresentar uma peça baseada no universo do poeta Al Berto (A Noite), como está no Largo do Carmo a fazer uma intervenção artística a propósito das comemorações do 25 de Abril, como acontece este sábado.
“Sempre procurei o teatro desestabilizador, inquieto, e ainda que a sala do teatro seja mais cómoda do que muitos dos sítios para onde nos lançamos, queremos pisá-los”, diz João Brites, para quem o facto de o grupo ter escolhido sair da cidade para ir para uma quinta rural em Palmela, diz muito sobre o espírito com que foi criado. “Procuro uma arte elaborada”, diz Brites, “mas vejo o artifício como algo essencial para o homem, e não como algo balofo. E a arte que se afasta de um certo realismo pode ficar demasiado intelectual ou conceptualista, se não tiver uma ligação com o cheiro, a terra”, continua. “Estar nesses sítios dá-nos um pouco o contraponto real com o artifício. Andamos sempre nessa balança entre o facto de percebermos que o teatro é uma linguagem artificial, e o lado que gostamos, que é o vento, a terra, o que toca mesmo as pessoas.”
Não é por acaso que O Bando se chama bando. Eles têm qualquer coisa de nómada, e no que acreditam mesmo é no colectivo. “Os espectáculos não são fruto de uma mente iluminada, são várias iluminações”, resume Brites.

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay