6 de março de 2008

ModaLisboa: 30 edições em 17 anos a dar moda à cidade
















A ModaLisboa arrancou oficialmente há 17 anos, e em 30 edições já passou por 14 locais emblemáticos da capital, tendo o ano passado chegado a Cascais. Entre esta quinta-feira e domingo «toma conta» do Casino Estoril.


«Não há edições melhores nem piores, mas há edições que por algum motivo nos ficam na memória».
A frase cabe à «mãe» da ModaLisboa, Eduarda Abbondanza, que, em conjunto com Mário Matos Ribeiro, pôs de pé há 18 anos a iniciativa do género mais importante no nosso país.
A edição zero da ModaLisboa decorreu no Jardim do Tabaco, em 1990, integrada nas Festas da Cidade, mas por ter sido «um ensaio», não entra nas contas. Mas há quem se lembre bem desses dias.
«Foi num cenário humilde, consequência da falta de recursos e meios para a realização do evento», descreveu à Lusa a ex-manequim Maria João Baginha, que na altura sentiu «gratidão e satisfação» por estar a desfilar «obras artísticas» da sua preferência.
A primeira edição devidamente organizada foi no teatro São Luiz.

«Foi extraordinário, as coisas foram até ao limite. Conseguimos parar o trânsito desde o Marquês de Pombal até ao Chiado», recorda Eduarda Abbondanza, que considera que o evento «foi explosivo desde a primeira edição».
«Nas edições seguintes senti que o projecto estava numa energia incessantemente ascendente, em que cada ano que passava acontecia mais arte, mais produção, melhor organização e competência», recorda por seu lado Maria João Baginha.
Quem também participou na primeira edição, e ainda hoje apresenta colecções na ModaLisboa, foi José António Tenente, para quem «o aparecimento da iniciativa foi crucial para o desenvolvimento da moda em Portugal».
«A instituição de um calendário oficial de apresentação das colecções dos designers portugueses veio organizar e profissionalizar um meio que estava no início da sua história», considerou, em declarações à Lusa.
Durante seis edições, Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro organizavam a iniciativa, mas também apresentavam colecções, formando a dupla de criadores Abbondanza/Matos Ribeiro.
«A gestão de equilíbrio entre as duas coisas era muito difícil e muito stressante. Foi possível porque éramos muito novos e a energia estava verdinha», contou Eduarda Abbondanza.
Nessas seis edições a iniciativa funcionava dentro da Câmara Municipal de Lisboa, algo que se tornou um problema e obrigou a uma paragem na realização da ModaLisboa.
«Nas instalações da Câmara não tínhamos um gabinete fixo, nem computadores fixos. Fechávamos uma edição, ia-se tudo embora. Uns meses depois retomávamos e já não tínhamos os mesmos computadores. Perdíamos informação. Há muito pouco histórico dessas seis primeiras edições», explicou.
«O crescimento da ModaLisboa foi tão meteórico que havia necessidade de criar uma estrutura para agarrar o projecto. Por essa razão tivemos de parar em 1993. Para nos reorganizarmos», continuou.
E assim nasceu em 1996 a Associação ModaLisboa.
«Criar a 1ªedição enquanto associação foi tão especial que a Cordoaria Nacional recebeu dez dias de desfiles e uma exposição gigantesca», contou Eduarda Abbondanza.
Além da Cordoaria e do Teatro São Luiz, a mentora da ModaLisboa tem outros locais de eleição, como o Museu de História Natural, o Museu da Electricidade, o Museu da Cidade e o armazém Terlis, onde a iniciativa se realizou durante cinco edições seguidas.
«Foi a única vez em que dominámos o espaço e percebemos que traz muitas vantagens poder trabalhar sistematicamente no mesmo local», afirmou.
Também José António Tenente destaca o armazém Terlis, «porque foram ali realizadas várias edições».
Por razões, emocionais e pragmáticas, Tenente destaca ainda a deslocação para Cascais.
«Nasci, vivo e trabalho aqui e por isso é também muito bom em termos da nossa organização interna», disse à Lusa.
Mas a edição que mais mexeu com os nervos da organização foi a 14ª, que se realizou na Torre Vasco da Gama.
«Íamos dando em malucos. Não havia escadas, só elevadores, que eram minúsculos. A organização teve de utilizar as escadas de emergência como roteiro normal de trabalho. Os elevadores eram impensáveis, demoravam horas e avariavam», descreveu Eduarda Abbondanza.
Como o local vai variando de umas edições para as outras, o primeiro dia funciona sempre como «dia de teste».
«No segundo dia acabamos por rectificar coisas, porque até então não tínhamos tido oportunidade de experimentar o espaço com público De todos os talentos que passaram por todos estes locais, Eduarda Abbondanza destaca três, «aqueles que estão distantes, porque seguiram outros percursos e por essa razão às vezes vem a saudade»: Susana Cabrito, Joana Jorge e Priscila Alexandre.
É com orgulho que Eduarda Abbondanza diz que as três designers de moda, todas vencedoras do concurso «Sangue Novo» da ModaLisboa, estão a trabalhar em grandes marcas internacionais.
«Destaco-as também por saber que a ModaLisboa ajudou na concretização dos seus projectos individuais enquanto designers», acrescentou. Desta quinta-feira a domingo são apresentadas as colecções para o próximo Outono/Inverno 2008/09, no Casino Estoril e no Hotel Real Palácio, no âmbito da 30ª edição da ModaLisboa, a segunda fora da capital.
Diário Digital / Lusa

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