23 de abril de 2008

"O conhecimento da avifauna é ainda muito reduzido"


Perto de 40 espécies de aves que residem e nidificam nos Açores serão abordadas no Curso de Iniciação de Observação de Aves (CIOA), a decorrer amanhã e domingo, na sede dos Montanheiros.


Para além de dar a conhecer a avifauna existente no nosso arquipélago, o curso pretende formar ornitólogos e observadores de aves locais.A iniciativa é organizada pela Ecoteca da Terceira está aberta ao público em geral.

Motivar ornitólogos e observadores

Durante os próximos dois dias, 19 e 20 de Abril, através de sessões teóricas e práticas, o formador Carlos Pereira pretende mostrar aos participantes do CIOA o “mundo das aves”, de forma a motivar futuros especialistas na matéria.

“O conhecimento da avifauna açoriana é ainda muito reduzido. Quase todas as espécies residentes e que nidificam nos Açores estão por estudar.

Há portanto um imenso trabalho a fazer, que até pode ser muito motivador, pois ‘arrisca-se’ sempre a ser pioneiro”, afirma o formador.

Nos Açores estão em falta ornitólogos locais, segundo revela Carlos Pereira, dado que “quase todas as pessoas que se encontram neste momento a desenvolver trabalhos com a avifauna dos Açores são de fora”.
E acrescenta que “falta ainda interesse ou a ‘motivação certa’ dos organismos públicos responsáveis, como a Universidade, SRAM e DRRF”.Neste sentido, o CIOA levado a cabo pela Ecoteca da Terceira, pretende ainda “chamar a atenção das pessoas para o ‘mundo das aves’, para a sua observação nos Açores, e dar a conhecer a avifauna existente no arquipélago”. Cerca de 40 espécies
O cagarro e o milhafre são as aves mais conhecidas da população e consideradas as emblemáticas dos Açores.
Perante isso, no Curso serão sobretudo estudadas e observadas as espécies residentes e que nidificam na Região, que, de acordo com Carlos Pereira, “com muito boa vontade não ultrapassam as 40 espécies”.
Por outro lado, os Açores são ponto de passagem durante o período de Outono/Inverno para muitas outras espécies de aves oriundas tanto da Europa como do Continente Americano. “São aves que chegam aos Açores muitas vezes trazidas por ventos ‘favoráveis’, explica o formador, sendo que “nos últimos 100 anos foram observadas nos Açores mais de 250 espécies diferentes de aves”.
Quanto aos critérios para observar e identificar as aves, é necessário o auxílio de um guia de identificação de aves e material óptico, como binóculos e/ou telescópio.
No âmbito do CIOA, a decorrer sábado e domingo, estão previstas para as saídas de campo uma visita ao Paul da Praia; Cabo da Praia, considerado, segundo Carlos Pereira, “provavelmente o maior ‘spot’ da Europa para a observação de aves oriundas da América do Norte”; Lagoa do Ginjal/Juncal; Contendas; zona da Lagoa do Negro/Caminho dos Três Cantos/Achadas/Caldeira Guilherme Moniz.

É de referir que a visita a alguns destes locais poderá ter de ser alterada devido às adversidades das condições meteorológicas.

O Curso de Iniciação de Observação de Aves, promovido pela Ecoteca da Terceira, conta com a colaboração da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, Os Montanheiros, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a "Bird Life International".
Sónia Bettencourt

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay