5 de agosto de 2008

O Tempo Canário e o Mário ao contrário


A escritora Rita Taborda Duarte, que acaba de publicar «O Tempo Canário e o Mário ao contrário», diz que chegou à literatura para crianças «por acaso».
Conta como foi: «Estava a fazer o mestrado e escrever para os miúdos funcionou como um escape».
Isto foi há quatro anos. O «por acaso» ganhou raízes e ficou. A tese de mestrado, em Teoria da Literatura, está feita, defendida, tem título - «Crítica e Representação: Da Aporia na Crítica de um texto poético» - e pode ser que um dia saia em livro.
Há-de saber-se, então, o que pensa sobre a crítica de poesia, e matérias afins, esta licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Modernos)pela Faculdade de Letras de Lisboa, 35 anos, autora de, entre outros livros, «A verdadeira história da Alice» (Prémio Branquinho da Fonseca/Expresso), «A família dos Macacos», «Os piolhos do miúdo e os miúdos do piolho» - os três para crianças - e «Experiências descritivas.Dos sentidos das coisas - círculos», com André Barata (poesia).
Rita Taborda Duarte está a preparar o seu doutoramento. Mas os livros para crianças continuam a disputar-lhe tempo - e ela não lhes tem faltado com ele. Prova disso é »O Tempo Canário e o Mário ao contrário«, que a Editorial Caminho lançou há dias.
Quem procure no livro uma história de recorte tradicional, com a segura ordenação cronológica de princípio, meio e fim, sem sobressaltos, gente boa de um lado, gente má do outro, desengane-se. E desengane-se, também, quem procure no livro extra-terrestres, guerras no cosmos, computadores e mais maquinaria a reger os destinos do mundo.
Príncipes e princesas, fadas e gnomos, também não há.
A aposta de Rita Taborda Duarte é outra: o mundo dos seus livros para crianças é o de todos os dias, mas visto como um projecto susceptível de recriação, de mudança, de «subversão» em chave de ironia, descontruindo a norma, buscando a maior proximidade possível com o olhar infantil.»
Os miúdos - reflecte - chegam à língua de uma maneira diferente. São muito mais actuantes do que nós, adultos, questionam tudo, cada palavra«.
Dá um exemplo: uma criança - a sua filha - pergunta por que se chama Dona a uma vizinha se esta, pobre, não é visivelmente dona de coisa nenhuma.
Pergunta após pergunta, o ambiente foi sendo criado e Rita Taborda Duarte tirou conclusões: passaria a escrever também histórias para crianças. A par da poesia, que continua a ser o seu «percurso» essencial.
Para estas histórias conta com a colaboração de Luís Henriques na ilustração. Gosta do que ele faz, gosta do modo como rejeita «copiar» o texto em desenho. »Ele acrescenta sempre imenso« ao texto, diz.
Para daqui a meses, mais um trabalho dos dois estará nas livrarias: »Sabes, Maria, o Pai Natal não existe«, também com chancela da Caminho.
Diário Digital / Lusa

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay