22 de outubro de 2008

Centro Português de Serigrafia é única presença lusa na Estampa 2008 (Madrid)







O Centro Português de Serigrafia é a única entidade portuguesa presente na edição deste ano da Estampa, a feira internacional de arte contemporânea de Madrid, que começa dia 29.


Mais de 3.000 obras de 650 artistas, entre eles vários portugueses, constituem o elenco da edição de 2008 da Estampa, a feira de arte contemporânea de Madrid que se consolida este ano como catalizador do mercado de arte múltipla.
A aposta em novos formatos, com ênfase na fotografia e no vídeo, evidencia-se na própria definição do certame, que se transforma este ano de «Salão Internacional da Gravura e de Edições de Arte Contemporânea» em «Feira Internacional de Arte Múltipla».
Na sua 16ª edição a Estampa - onde Portugal foi país convidado em 2005 - aposta na consolidação da rede de alianças institucionais e de galerias espanholas e estrangeiras.
Isabel Elorrieta, directora do certame, explicou hoje aos jornalistas que a edição deste ano abandona o projecto de país convidado, inaugurando três novas secções: Frame, Stage e Vídeo.Es, consolidando ao mesmo tempo a secção Tentações, que cumpre 10 anos de vida.
«Estamos a introduzir novos métodos e novos suportes, procurando reflectir a mudança e a experimentação no mundo da gráfica, fortalecendo o vídeo e a fotografia», explicou.
A presença portuguesa é mais marcada através do Centro Português de Serigrafia (CPS), uma das entidades portuguesas com maior currículo na Estampa, onde já recebeu vários galardões, tanto pela qualidade das obras do seu stand como dos artistas que trás a Espanha.
Este ano incluem-se obras de Alberto Reguera, Alexandra Barbosa, Andreia Lima, Antia Moure Canogar, Carlos Mereidos, Ivan Messac, Leonel Moura, David de Almeida e Saskia Moro.
Outros artistas portugueses serão apresentados com obras trazidas por vários dos mais de 90 expositores. A Caja Negra, uma das principais galerias madrilenas, apresenta trabalhos de Edgar Martins.
A Estampa tem-se consolidado como o principal certame europeu de arte gráfica, com um volume anual de negócios, directo e indirecto, de cerca de seis milhões de euros.
Este ano nasce o conceito de «artista convidado», que nesta edição é o holandês Jan Hendrix, conceituado artista gráfico.
Hendrix, que reside no México desde os anos 70, colaborou com vários prémio Nobel da Literatura na ilustração das suas obras, tendo desenvolvido uma obra que aposta na essência artística do mundo natural.
Criador da imagem da edição deste ano, Hendrix sustentou que a Estampa 2008 serve como «o melhor exemplo» da «reconfiguração» em curso no mundo da gráfica, que se consolida «como a nova forma de arte contemporânea».
«O mundo da gráfica tem estado sempre ligado à tinta e ao papel. Mas as ferramentas mudaram e temos que ver hoje os artistas deste campo como capazes de sair da hermética caixa da gravura tradicional», afirmou Hendrix.
«A dimensão da gráfica, a sua escala, mudou com as novas ferramentas.
Hoje a arte gráfica não é uma simples gravura de 3 cm por 3 cm. Pode ser um trabalho pegado permanentemente à fachada de um edifício, como parte integrante da arquitectura», sublinhou.
Para Fernando Cordero, director da galeria Caja Negra, a Estampa é a prova de que «o mundo da arte não está em crise» e que «as situações de crise são os melhores momentos para a criação artística».
«As grandes colecções do mundo começaram a criar-se em momentos de crise», disse, insistindo paralelamente na dimensão do pequeno e do novo coleccionador que um certame como a Estampa proporciona.
«As galerias às vezes não são muito abertas. Mas numa feira como esta os estreantes podem andar à vontade, verem que os outros compram e comprarem também», sublinhou.
Ainda que, defende, se deva ver a aquisição de arte «não como um investimento mas como um dinheiro bem empregue».
A edição deste ano da Estampa está patente entre os dias 27 de Outubro e 02 de Novembro.
Diário Digital / Lusa


Em Madrid pode encontrar:

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay