9 de julho de 2009

'Países poluidores' aceitam limitar o aquecimento do planeta a 2°C










L'AQUILA, Itália (google) — As maiores economias do mundo, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa, aceitaram limitar a 2°C o aumento da temperatura do planeta, informaram nesta quinta-feira em L'Aquila (Itália) fontes diplomáticas brasileiras e europeias.



Os 16 países do Fórum das Maiores Economias (FME) - o conjunto de nações formado pelas oito maiores potências industrializadas e os países de economia emergente - se reunem nesta quinta-feira por ocasião da cúpula do G8 para debater o tema.
A ideia vai figurar no documento final e representa um grande avanço, segundo declarou à imprensa o diplomata Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores para questões de meio ambiente do Brasil.
"O FME aceitou a ideia dos 2°C", indicou, por sua vez, um diplomata europeu que não quis ser identificado.

No rascunho da declaração final, ao qual a AFP teve acesso, o FME "reconhece que o aumento médio da temperatura mundial não deve exceder os 2°C em relação aos níveis pré-industriais", que correspondem à temperatura do final do século XVIII.
Com a introdução deste princípio, serão respeitadas as recomendações científicas baseadas em uma avaliação de que a temperatura do planeta já aumentou quase um grau desde então.
O Fórum se compromete a "identificar um objectivo comum de redução das emissões de gases de efeito estufa antes de 2050", afirma o documento, sem precisar a percentagem.
Por insistência da China, os países do FME desistiram de se comprometer a reduzir pela metade suas emissões de gases de efeito estufa até 2050.
Na véspera, os líderes do G8 aprovaram o limite de 2°C e se comprometeram a reduzir pela metade antes de 2050 a emissão mundial de gases de efeito estufa e elevaram para 80% a redução de suas próprias emissões.
Figueiredo acha que esta proposta não tem credibilidade se o G8 não adoptar metas intermediarias até 2020.
"Nós podemos aceitar o objectivo de 2050 dentro de um quadro de metas robustas a médio prazo", afirmou o chefe dos negociadores.
"Mas não podemos lidar apenas com o longo prazo, porque se perde credibilidade. Tem que existir metas de redução fortes e profundas até 2020", completou.

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay