É de um pequeno armazém escondido junto à estação de Campanhã que saem os cartazes irrequietos que têm animado as paredes da Invicta.
Uma ave em chamas, onde se pode ler «é o diabo que me chama», uma cabeça que é uma mão, mas que também é um cifrão, não se referem a nenhum evento, enquanto os cartazes para o festival Matanças, para os 10 anos dos Maus Hábitos ou para o Flea Market, são parte mais institucional do percurso de um ano da Oficina Arara.
Miguel Carneiro, Marta Baptista, João Alves, Dayana Lucas e Dário Cannatá, todos com um percurso académico pelas Belas-Artes, criaram, com a Oficina Arara e os seus cartazes em serigrafia, «um espaço de contágio», conforme explica Miguel Carneiro à Lusa: «Tentamos criar um espaço que contrariasse a maior parte do lixo gráfico que anda aí, as abordagens muito superficiais, com uma estética muito viciada. Quisemos restaurar a aura do cartaz, que eles se distinguissem por si, até pela impressão mais analógica que fazemos».

