15 de dezembro de 2011

Associação Gaita-de-Foles - Estudar, ensinar e preservar os sons do mundo rural

Nasceu em 1999 e em 12 anos construiu obra. A Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-Foles abriu uma escola, formou o grupo Cornes e recolhe histórias de gaiteiros. Junta a estas actividades a edição de livros e a organização de encontros de gaiteiros. A Associação mantém viva uma tradição que terá tido origem no mundo rural, embora hoje com forte expressão urbana.

 A história deste gaiteiro é uma, entre muitas, que a Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-Foles recolheu. Com uma página na Internet, repleta de conteúdos para conhecer o instrumento musical, a associação, fundada em 1999, cumpre um dos seus objectivos: «divulgar o instrumento de todas as formas possíveis e cativar mais pessoas para a prática do mesmo», explica o presidente da Associação, Vasco Ribeiro Casais.
A associação foi criada por um grupo de amigos que aprendiam gaita-de-foles e pelo seu professor Paulo Marinho. Criaram raízes em Lisboa e foram crescendo. Hoje contam com 230 associados.
Juntos dedicam-se a investigar as origens, utilizações e diferentes formas deste instrumento que se encontra um pouco por todo o mundo. Objectivos que Vasco Ribeiro Casais diz já estarem de certo modo alcançados, sendo o grande desafio agora «a edição de um disco com o grupo de gaitas da associação, o Cornes». Um projecto que «está para breve», adianta.
Vários instrumentos num só:
«A gaita-de-foles não é um instrumento, mas vários instrumentos, que se encontram acoplados a um fole (depósito flexível de ar)», explica o site da Associação. Instrumento classificado dentro da família dos aerofones, ou seja de vento, existe um pouco por todo o país. «Em Portugal, a gaita-de-foles é característica desde a baía de Setúbal até ao Minho e Trás-os-Montes.  Nos arredores de Lisboa, precisamente em Torres Vedras, o instrumento ainda se encontra bem vivo. Em 2009 editámos um livro com CD e DVD sobre o gaiteiro Joaquim Roque que ainda hoje toca nas festas locais», comenta Vasco.A gaita-de-foles compõe-se de, pelo menos, um tubo melódico chamado de ponteiro e um insuflador com uma válvula, chamado «assoprador». Ambos ligam-se a um reservatório de ar, o fole. Na maioria dos casos, há pelo menos mais um tubo melódico, pelo qual se emite uma nota pedal (som prolongado sobre o qual se sucedem diferentes acordes) constante, que está em harmonia com o tubo melódico, chamado bordão, ronco ou roncão.
 

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