1 de junho de 2012

Alergologistas criticam suspensão de dados da qualidade do ar

A sociedade de alergologia e a Quercus alertaram para a importância da previsão da qualidade do ar, hoje suspensa pela Agência Portuguesa do Ambiente, principalmente para grupos mais sensíveis à poluição, esperando que a informação seja reposta em breve.

 


A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) suspendeu hoje a divulgação daquela previsão, devido a questões processuais, embora mantenha a informação sobre o índice de qualidade do ar, resultante dos dados recolhidos nas estações de monitorização, e os avisos sobre eventuais situações em que sejam ultrapassados os limiares de alerta e a respetiva advertência para as precauções a tomar.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínico, Mário Morais de Almeida, disse à agência Lusa esperar que esta seja "uma situação transitória" que possa ser normalizada "muito em breve".

A qualidade do ar é "algo que é muito importante no impacto na doença do ser humano e na qualidade de vida, é fundamental e não é só para o aparelho respiratório, é também para o cardiovascular e uma série de outras funções do sistema biológico", defendeu.

Para este responsável, "um país desenvolvido tem de conhecer a qualidade da água que consome, dos produtos alimentares e também a qualidade do ar que consome".

A importância da relação entre a qualidade do ar, as variáveis meteorológicas, a poluição e a contaminação pelos pólens, "em conjunto, tem de ser abordada e estar disponível para informação à população, para fazer alertas quando alguns contaminantes atmosféricos estão em concentrações elevadas na atmosfera para a pessoa evitar a exposição", apontou o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia.

Com estes elementos, os grupos mais sensíveis, idosos, crianças e doentes respiratórios, podem tomar medidas preventivas, expor-se menos, evitar zonas mais poluídas, por exemplo, com mais tráfego automóvel, e beber mais líquidos.

Estas opções "podem melhorar a qualidade de vida e evitar riscos que podem ter efeitos agudos, no próprio dia, mas também ter repercussões ao longo dos anos, com outras complicações a nível cardiovascular", explicou Mário Morais de Almeida.

"Vimos esta suspensão com alguma preocupação, já que o sistema permitia um controlo mínimo da qualidade com tudo o que implica a nível da prevenção da saúde dos cidadãos que circulam nas grandes cidades", disse à Lusa o presidente da associação ambientalista Quercus, Nuno Sequeira.

"Esperamos que esta suspensão sejam efetivamente temporária, como tudo parece indicar, e que o Ministério do Ambiente efetue todas as diligências necessárias para que decorra durante o menor número de dias possível", acrescentou.

Nuno Sequeira acrescentou que esta informação serve de prevenção para os grupos de risco, mas também para que o cidadão adote as suas rotinas, nomeadamente de circulação rodoviária, à situação de partículas em suspensão.

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