A sociedade de alergologia e a Quercus alertaram para a importância
da previsão da qualidade do ar, hoje suspensa pela Agência Portuguesa do
Ambiente, principalmente para grupos mais sensíveis à poluição,
esperando que a informação seja reposta em breve.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) suspendeu hoje
a divulgação daquela previsão, devido a questões processuais, embora
mantenha a informação sobre o índice de qualidade do ar, resultante dos
dados recolhidos nas estações de monitorização, e os avisos sobre
eventuais situações em que sejam ultrapassados os limiares de alerta e a
respetiva advertência para as precauções a tomar.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia
Clínico, Mário Morais de Almeida, disse à agência Lusa esperar que esta
seja "uma situação transitória" que possa ser normalizada "muito em
breve".
A qualidade do ar é "algo que é muito importante no impacto na doença
do ser humano e na qualidade de vida, é fundamental e não é só para o
aparelho respiratório, é também para o cardiovascular e uma série de
outras funções do sistema biológico", defendeu.
Para este responsável, "um país desenvolvido tem de conhecer a
qualidade da água que consome, dos produtos alimentares e também a
qualidade do ar que consome".
A importância da relação entre a qualidade do ar, as variáveis
meteorológicas, a poluição e a contaminação pelos pólens, "em conjunto,
tem de ser abordada e estar disponível para informação à população, para
fazer alertas quando alguns contaminantes atmosféricos estão em
concentrações elevadas na atmosfera para a pessoa evitar a exposição",
apontou o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia.
Com estes elementos, os grupos mais sensíveis, idosos, crianças e
doentes respiratórios, podem tomar medidas preventivas, expor-se menos,
evitar zonas mais poluídas, por exemplo, com mais tráfego automóvel, e
beber mais líquidos.
Estas opções "podem melhorar a qualidade de vida e evitar riscos que
podem ter efeitos agudos, no próprio dia, mas também ter repercussões ao
longo dos anos, com outras complicações a nível cardiovascular",
explicou Mário Morais de Almeida.
"Vimos esta suspensão com alguma preocupação, já que o sistema
permitia um controlo mínimo da qualidade com tudo o que implica a nível
da prevenção da saúde dos cidadãos que circulam nas grandes cidades",
disse à Lusa o presidente da associação ambientalista Quercus, Nuno
Sequeira.
"Esperamos que esta suspensão sejam efetivamente temporária, como
tudo parece indicar, e que o Ministério do Ambiente efetue todas as
diligências necessárias para que decorra durante o menor número de dias
possível", acrescentou.
Nuno Sequeira acrescentou que esta informação serve de prevenção para
os grupos de risco, mas também para que o cidadão adote as suas
rotinas, nomeadamente de circulação rodoviária, à situação de partículas
em suspensão.