
A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) respondeu hoje à Lusa através de comunicado que, para alguns usos, «a água carece naturalmente de tratamento adequado».
A água das albufeiras abrangidas pelo empreendimento Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) está a ser utilizada para regadio, pesca desportiva e para produção de energia eléctrica.
O empreendimento tem também instaladas as infra-estruturas para, no futuro e em caso de necessidade (escassez de água), ser canalizada para abastecimento público.
Segundo o estudo, a água do Alqueva está contaminada por insecticidas e pesticidas, cuja concentração pode perigar a saúde humana e ultrapassa os limites europeus, segundo revela um estudo de um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro.
De acordo com o estudo científico a que a Lusa teve acesso, foi detectada «a presença de níveis perigosos de insecticidas no Rio Guadiana e que podem representar perigo para a saúde humana».
O estudo foi levado a cabo por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, em colaboração com outros colegas portugueses, e destinava-se a determinar os efeitos sobre organismos aquáticos de pesticidas presentes na água do Rio Guadiana.
Questionada pela Lusa sobre o estudo dos investigadores da Universidade de Aveiro, a EDIA assegura que, «actualmente, os dados obtidos através do programa de monitorização, implementado pela EDIA, indicam que a qualidade da água armazenada nas albufeiras integradas no EFMA permite satisfazer os fins a que se destina, sendo que para alguns desses usos a água carece, naturalmente, de tratamento adequado».
A empresa esclarece em comunicado que dispõe desde o fecho das comportas de Alqueva de mecanismos de acompanhamento e controlo da qualidade da água e do seu estado ecológico.
No âmbito do Programa de Monitorização da Qualidade da Água do Sistema Alqueva e Pedrógão, implementado pela EDIA, a empresa alega que são realizadas, desde o fecho das comportas, em Fevereiro de 2002, campanhas mensais de avaliação da qualidade química, microbiológica e fitoplanctónica da água em 10 locais de amostragem, nove dos quais na zona das albufeiras e um no rio Guadiana.
A Empresa do Alqueva alega ainda que o trabalho de um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro refere-se apenas a dados de 2006 e que o estudo teve apoio por parte da EDIA.
Diário Digital / Lusa