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14 de julho de 2013

The Cuckoo’s Calling


J.K. Rowling publicou sob pseudónimo um romance policial saudado pela crítica. A revelação foi feita pelo Sunday Times este domingo.
Com o título The Cuckoo’s Calling (O Apelo do Cuco), o livro foi publicado em Abril em Inglaterra, assinado por Robert Galbraith, supostamente um antigo militar tornado escritor.
Conta a história de Cormoran Strike, um veterano da guerra do Afeganistão que se torna detective privado e tenta desvendar o caso do suicídio de uma modelo.
Segundo escreve o Sunday Times, citado pela AFP, o romance foi “saudado pela crítica” como “uma primeira obra notável”. Houve quem tivesse falado numa “estreia  brilhante” e quem reparasse na forma como um autor masculino descrevia tão bem a roupa feminina.
O Sunday Times descobriu a “marosca” ao investigar as circunstâncias que levaram um escritor “com um passado no exército e depois nos serviços privados de segurança a tornar-se numa revelação literária”, como se pode ler no site do jornal. Acabou por chegar ao nome de J.K. Rowling, que depressa admitiu a autoria, mesmo se disse que “esperava poder guardar o segredo durante mais algum tempo”.
“Tornar-me Robert Galbraith foi uma experiência absolutamente libertadora”, disse a autora de Harry Potter, através de um comunicado. “Foi maravilhoso ter publicado um livro sem que ele motivasse toda essa grande expectativa e confusão, e foi um verdadeiro prazer ter visto como ele foi acolhido sob um nome diferente”, acrescentou a escritora, revelando que o seu editor David Shelley foi “um autêntico cúmplice no crime”.
The Cuckoo’s Calling teve edição em capa dura com a chancela da Sphere, ligada ao grupo Little, Brown Book – o mesmo que lançou, no ano passado, o último livro de J.K. Rowling, The Casual Vacancy (Uma Morte Súbita, editado em Portugal pela Presença), o seu primeiro romance para adultos. Esta obra recebeu então críticas desencontradas e as vendas não tiveram nada a ver com o sucesso global da saga Harry Potter, que chegou ao cinema e vendeu mais de 450 milhões de exemplares em todo o mundo.
The Cuckoo’s Calling vendeu cerca de 1500 exemplares desde o seu lançamento em Abril. Mas logo que foi revelada a identidade do seu verdadeiro autor, subiu mais de cinco mil lugares no top de vendas da Amazon. E a BBC reportava este domingo a grande corrida às livrarias inglesas à procura dos poucos exemplares que ainda restavam desta inopinada “aventura policial” de J.K. Rowling.

in Público

12 de novembro de 2011



Do desejo (V)

Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?

Da noite (I)

Vi as éguas da noite galopando entre as vinhas
e buscando meus sonhos. Eram soberbas, altas.
Algumas tinham manchas azuladas
E o dorso reluzia igual à noite
E as manhãs morriam
Debaixo de suas patas encarnadas.

Vi-as sorvendo as uvas que pendiam
E os beiços eram negros, e orvalhados.
Uníssonas, resfolegavam.

Vi as éguas da noite entre os escombros
Da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras
E vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato.

Vi-as tumultuadas. Intensas.
E numa delas, insone, a mim me vi.

Do desejo (VIII)

Se te ausentas há paredes em mim.
Friez de ruas duras
E um desvanecimento trêmulo de avencas.
Então me amas? te pões a perguntar.
E eu repito que há paredes, friez
Há molimentos, e nem por isso há chama.
DESEJO é um Todo lustroso de carícias
Uma boca sem forma, um Caracol de Fogo.
DESEJO é uma palavra com a vivez do sangue
E outra com a ferocidade de Um só Amante.
DESEJO é Outro. Voragem que me habita.

Alcoólicas (I)

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A vida é líquida.
in HILST, Hilda. Do desejo.

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay