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8 de novembro de 2008

Colaboradores de banco plantam árvores em área ardida


Mais de quatro dezenas de colaboradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) da região de Coimbra participaram esta sexta-feira numa acção de florestação no Piódão, Arganil, plantando cerca de duas centenas de árvores numa área ardida, noticia a Lusa.

A acção simbólica, que decorreu debaixo de chuva e nevoeiro, visa a plantação nesta zona de cerca de 15 mil árvores e insere-se no projecto «Floresta Caixa», que prevê a reflorestação e valorização ambiental de uma área ardida, revelou uma fonte da CGD à agência noticiosa.
São plantadas «espécies autóctones - espécies tradicionais como carvalhos, azinheiras, plátanos e castanheiros - que são mais eficazes na prevenção do fogo», segundo uma nota acerca da iniciativa.
Apesar das condições climatéricas adversas, com chuva e nevoeiro, e do acidentado do terreno, a jornada «foi um sucesso», tendo suscitado o entusiasmo dos participantes, referiu Ana Pola, da direcção de comunicação da CGD.
«É sempre uma ocasião de convívio. O grande objectivo estratégico é o combate às alterações climáticas», adiantou.
A florestação no Piódão resulta de uma parceria entre a Caixa Geral de Depósitos, a Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) e a Associação de Compartes da Freguesia do Piódão.
A acção foi realizada por colaboradores da CGD da região de Coimbra Oriental, em regime de voluntariado, tendo participado também os restantes promotores da iniciativa e o presidente da Câmara de Arganil, Ricardo Alves, entre outros.
De acordo com Ana Pola, a CGD já recuperou até agora duas áreas ardidas, em Paredes de Coura e na Quinta da Maúnça, Guarda. Projecta levar a cabo a próxima reflorestação em Caldas de Vizela.

11 de agosto de 2008

O fado foi ao festival e a planície aplaudiu


Música. Ontem foi o último dia de Sudoeste TMN, que esperava pelo regresso dos Franz Ferdinand. Momento 'rock'n'roll' depois de um dia com nomes portugueses em destaque.
Camané passou por lá, encantou e deixou festivaleiros a pensar em fado. Organização contou 160 mil pessoas nesta 12.ª edição.
Camané estreou-se em nome próprio nos palcos do Sudoeste Dizia que não, que não gostava de fado. Aquilo é coisa "triste, aborrecida". Afinal, o Sudoeste é praia e campismo, noites longas e dias preguiçosos. Pouco tempo antes, o concerto de Deolinda tinha sido português, tradicional e à guitarra. "Mas isto é fado", respondem, a diferença parece estar "no ritmo, na alegria".
Chegados a Dança de Volta, o mesmo fado é Camané como estrela pop, contrabaixo nervoso e guitarras em cascata. Quem não conhecia ficou para ver, quem já gostava gritou o nome do fadista bem alto.
O fado esteve no Sudoeste, fez-se ouvir porque Camané reclama atenção obrigatória. E só não foi mais vitorioso porque os pormenores que esconde foram, em parte, camuflados pelos palcos vizinhos.
Pelo Planeta Sudoeste passeavam-se festivaleiros que, em 2005, viram Camané no palco principal.
Elogios como "a maior voz dos Humanos" ditavam ansiedade pela estreia do fadista em nome próprio na Zambujeira do Mar, pela chegada do fado à planície. O primeiro é tido como celebridade popular, "carismático e único", dizem ali perto.
O segundo pede precaução nas palavras de quem rara vez escuta o género. "Joana, Joana, é agora". E Joana, que já antes não tinha poupado adjectivos, encontra no palco o centro das atenções: um Camané que prometia apresentar um espectáculo muito semelhante ao que temos visto desde que Sempre de Mim foi editado.
Fato escuro e mão no bolso sob as luzes. Palmas e assobios em ambiente rock'n'roll entre a multidão, que ali outras tradições ficaram de fora. Sei de um Rio vai obrigando uns a dizer que "isto é coisa para arrepiar".
É um Carlos que, de mão dada, vai pedindo a quem o acompanha: "Ouve os versos com atenção".
Lembra-te Sempre de Mim é para abraços e danças a dois. E Senhora do Livramento motiva vozes bem ensaiadas a lançar um "ah, fadista" para o palco.
Com o contrabaixo de Carlos Bica (o convidado especial) como único acompanhamento, o momento pede por menos ruído alheio.
E quando Camané deixa o palco entregue aos músicos, a voz foge de quem a tinha como razão para ali continuar de pé. Alguns despedem-se antes do tempo, outros procuram nova companhia no telemóvel.
Mas o fado é música de "histórias", com diferentes faces e cores distintas. E quando as mais iluminadas regressam, o povo (entre o qual se manifestavam muitos espanhóis) salta, aplaude e aclama Camané, que é, claro está, "o maior".
No final, o fadista acena um adeus e não regressa para o encore. Parece saber que a atenções não estiveram sempre naquela tenda, que o algodão doce da menina de biquini que por ali encontramos estava só de passagem.
O Sudoeste ficou convencido, a paisagem serve o fado e "os fadistas têm que voltar ao cartaz". A vontade era de um fã, de nome Jorge, que concordava com muitos outros: não fosse o alinhamento, que foi pedindo mais espaço para dar brilho aos pormenores requintados, e a noite teria pertencido a Camané.

9 de julho de 2008

Estátua da Loba que amamenta Rómulo e Remo é da Idade Média


Uma análise com carbono 14 revelou que a conhecida estátua da Loba que amamentou Rómulo e Remo não é da época etrusca, como até agora tem sido dito, mas da Idade Média, noticiaram hoje os media italianos.
Até agora, datou-se a estátua do século V a.C., mas a nova análise mostrou que ela foi feita mais de 1000 anos depois, entre os séculos VIII e XIV d.C.
Segundo o diário italiano La Repubblica, a Câmara municipal de Roma conhecia os resultados da análise há mais de um ano mas só agora os tornou públicos.
A primeira pessoa a indicar que a obra poderia datar da Idade Média foi a restauradora Anna Maria Carrubba, que entre 1997 e 2000 participou nos trabalhos de reabilitação da estátua.
Carruba observou então que para a realização da Loba tinha sido utilizada uma técnica de fundição adoptada na Idade Média.
Já em anteriores ocasiões se tinha posto em dúvida que a escultura fosse do século V a.C.
Segundo a lenda, os gémeos Rómulo e Remo, cujo pai era o deus Marte, foram abandonados no rio Tibre por ordem do rei Amulio, depois de a filha deste ter desrespeitado o mandado de virgindade que ele lhe impusera quando a obrigou a dedicar-se ao culto de Vesta.
Os irmãos, ainda de acordo com a lenda, foram recolhidos e amamentados pela loba Luperca e, quando cresceram, fundaram Roma.
Diário Digital / Lusa

6 de julho de 2008

Percurso natural junto ao Rio Erges

Em Salvaterra do Extremo, na Beira Baixa, existe um dos melhores locais do Mundo para observação de espécies de rapina raras.

Bem na fronteira raiana com a Espanha, Salvaterra do Extremo, no concelho de Idanha-a-Nova, é uma típica aldeia da Beira Baixa que tem sabido preservar a história e o património de um povo que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a encontrar alternativas para enfrentar os efeitos do isolamento impostos pela desertificação.
Integrada no Parque Natural do Tejo Internacional, a aldeia abre portas a um dos mais belos percursos pedestres do país, a Rota dos Abutres. É considerado um dos melhores locais do Mundo para a observação de aves e o único em Portugal onde é possível observar a Águia Imperial.
O JN andou pelo coração do Geopark Naturtejo, certificado pela Unesco com destino de excelência em termos de Turismo de Natureza, no rasto das aves de rapina, num namoro constante com a vizinha Espanha separada apenas pelo Rio Erges. Muitas foram as espécies de fauna e de flora de beleza rara que encontrou e pese o facto de não ter tido o privilégio de ver nenhuma ave de rapina, o mesmo já não aconteceu com os veados que se exibiram pela paisagem.
Este é um percurso sinalizado que pode fazer sozinho, em grupo ou com um guia. É de grau médio e tem cerca de 11 quilómetros. Dependendo do ritmo, demora três a quatro horas. Contudo, o convite é para que o faça a um ritmo que lhe permita usufruir de uns banhos no rio, de uma merenda e da paisagem propícia ao relaxamento da mente e do corpo.
Junto à Igreja Matriz de Salvaterra do Extremo encontra um painel informativo da Rota dos Abutres e poderá dar então início ao percurso. Não deixe, desde logo, de observar o comportamento das cegonhas, que na torre da igreja construíram o ninho. Siga as informações e a um quilómetro encontrará a Caseta, um antigo posto da guarda fiscal, junto ao qual existe um observatório de aves.


Deste sítio é então possível avistar o sinistro e magnífico Castilho de Peñafiel, já em território da Extremadura espanhola. É neste local que nidifica e tem o seu habitat uma importante colónia de grifos. Estas aves necrófagas, nidificam normalmente em zonas escarpadas e de difícil acesso, como é o caso. Leve binóculos. Quando se sentir satisfeito siga viagem. O percurso passa a ser feito junto ao Rio Erges, por isso vá atento e observe as antigas azenhas e a alteração constante do leito do rio. Passa então pelos Currais da Arvéola e pelo Vale das Eiras.


Se a sorte continuar do seu lado, é por esta região que poderá observar os veados. Vá seguindo as informações e assim terá o privilégio de passar pela "Quelha de Segura", um caminho empedrado que atravessa os campos agrícolas. Está a 1500 metros de Salvaterra do Extremo

28 de maio de 2008

Fado





José de Oliveira bellows, occasionally off key, the melancholic songs known as fado.
But questionable talent does not inhibit the 70-year-old retired welder from taking over the floor at A Baiuca, a tiny tavern and restaurant, and keeping the two dozen diners captive (or perhaps prisoner) until past midnight.
When he sings a well-known song of love, longing and loss, the good-natured diners put down their knives and forks and join in. When one couple dare to whisper during the song, a woman shushes them with the classic retort, "Silence! Fado is being sung."
This is the ritual of fado, performed night after night with various degrees of authenticity, quality, kitsch and tourist appeal in the dinner clubs of Lisbon.
Reviled by some as backward-looking and morose, fado, whose name means fate, has been reinvented to become Portugal's most successful cultural export. But here, in the narrow, twisting alleyways of Alfama, one of the working-class districts where fado was born, the songs are the classics, the message unadorned De Oliveira, dressed in a somber vest and trousers, his tie tightly knotted, is a neighborhood fixture. He sits on a stool at the restaurant's entrance as an unofficial doorman, beckoning passers-by to enter.
"José doesn't have a good voice, but he loves fado, he breathes fado," said Henrique Gascon, the owner of A Baiuca. "Sometimes people cry when he sings."
There is no stage, no microphone, no spotlight, not even candles here. It's the kind of place that hangs a "no smoking" sign on the door, then puts ashtrays on the tables.
When de Oliveira's voice cracks one time too many, João de Jesus, a 33-year- old owner of a fire extinguisher company, steps in to take his place.
Inspired, it is believed, by African slave and Moorish songs, fado was transformed by Portuguese sailors in the early 19th century into a vehicle to express the pain of loneliness and danger of a life at sea.
During the 40-year era of dictatorship that gripped Portugal until 1974, fado was associated with the regime's rigid values, and was used to promote nationalism.
As prime minister in the 1980s, Mário Soares once took American journalists traveling with President Ronald Reagan to a famous casa de fado, even though he was in exile during the dictatorship, and was said to have hated the genre.
Even now, some Portuguese consider fado fatalistic, a reminder that Portugal remains that worst-performing economy among the 13 countries that use the euro and lags behind much of the rest of Europe. "Saudade," a concept essential to fado that blends the nostalgia and yearning associated with the Portuguese character, is also seen by some as the main obstacle to progress.
Prime Minister José Sócrates, who was overwhelmingly elected nearly two years ago on a pledge to modernize Portugal, has mixed feelings about fado.
"Fado is about nostalgia, a sadness that is very intimate," Sócrates said in an interview. "I'm not a huge fan."
But he does not renounce it. "Fado," he said, "must have the right environment and the singers must be very special, to give it both beauty and a high standing."
Certainly, there is a lot of bad fado singing in Portugal — as there is a lot of bad flamenco dancing and singing in Spain, and it sometimes seems more popular among outsiders than among the Portuguese.
When Bill Clinton visited Portugal as president in 2000, he confessed to having fallen in love with fado.
"I'm going to promote fado music all over the world!" he exclaimed.
The legendary queen of fado singer, Amália Rodrigues, defined the genre. She wore the traditional black dress and shawl and was accompanied by the pear-shaped 12-string Portuguese guitar. When Amália, as she was known, died in 1999, Portugal declared three days of mourning.
More than a decade ago, a younger generation of singers began to take over and revolutionize fado.
Mariza, a 33-year-old Mozambique- born fado diva who sang a duet with Sting for the 2004 summer Olympics, has added cellos, pianos, trumpets, a positive attitude and designer gowns to her performances.
Fado singer Katia Guérreiro used her voice to campaign as a youth leader for Aníbal Cavaco Silva during his successful campaign for the 2006 presidential elections and to protest the referendum to liberalize abortion in February.
Mísia, meanwhile, uses a violin and poetic interpretations to inspire her work.
"When I decided to devote myself to fado, my friends were horrified," said Mísia before a recent performance in Paris, where she now lives. "It had the stigma of the dictatorship that used fado as propaganda for Portugal as a place that was happy in its poverty."

She keeps her performances simple and has disdain for the prettified productions of other fado singers.
"You have to have a voice with texture, with scars, close to life," she said. "This is not the Virgin Mary singing. It's Mary Magdelene."
The modernistic House of Fado and Portuguese Guitar offers the uninitiated a history of fado, with old photographs, sheet music, and television and film excerpts.
In the 1930s the government created fado houses both to professionalize and control the movement. Fado lyrics had to be approved by a censor.
On the streets today, everyone in the older generation seems to know a fado song or two. It does not taking much urging to persuade a Lisbon taxi driver — like the Venetian gondolier — to sing.
Not Sócrates. "I promised myself when I entered politics never to sing and never to dance," the prime minister said. "I respect fado too much to imitate it."

Tainted love


It's said that the fascist dictatorship that dominated Portugal for nearly half a century was bolstered by the three Fs - football, Fatima and fado. Football was best exemplified by the all-conquering Benfica side of the early 1960s, while Fatima referred to the Portuguese town where three teenagers are believed to have seen an apparition of the Virgin Mary, establishing the sanctity of Portugal.

And then there's the fado, Portugal's most famous musical form. It's forever associated with the tremulous voice of Amalia Rodrigues (1920-1999), who appeared dressed in a black shawl to sing dramatic, minor-key ballads in a remarkable voice, sounding like she was on the verge of tears. But for some, it's a sound forever tarnished by its association with fascism. After the fall of the dictatorship in 1974, many on the Portuguese left saw the fado as something shameful. It was seen, at best, as a conservative outlet for national misery, at worst as an authorised voice for Catholic fascism.

Young Portuguese deserted the fado in the 1970s," says singer Mariza, part of a new wave of fado singers, or fadistas, who have reclaimed the genre in recent years. "It had too many bad associations. Only now can we revisit this music."

Amalia become something of a scapegoat for fado's perceived fascist flirtations. Her ascendance to international celebrity in the 1940s unfortunately coincided with the rise of Antonio de Oliveira Salazar, who ruled Portugal between 1932 and 1968, the dictatorship continuing under the leadership of Marcelo Caetano until the peaceful "carnation revolution" of 1974.

Amalia unwittingly encouraged an association with the regime. She confessed to having a crush on Salazar, even writing poems to him in hospital before his death in 1968. In the aftermath of the 1974 revolution, she was falsely accused of being an agent for Salazar's secret police, a slur that stuck for many years, while many were suspicious of her association with Salazar's minister of culture, Antonio Ferro, who championed her work and presented her around the world as an ambassador for Portugal. She was certainly treated well by the regime, at a time when many singers, songwriters and poets were being imprisoned as dissidents.

However, if Salazar's regime used Amalia and the fado as a symbol of national identity in the 1950s and 60s, they did so with great reluctance. Salazar hated the fado. He referred to Amalia as "the little creature", and struggled with fado's central trope of saudade, the sense of nostalgia, yearning or longing that dominates its lyrics, regarding it as essentially anti-modern. In 1952, he told his biographer Christine Garnier that fado "has a softening influence on the Portuguese character", one that "sapped all energy from the soul and led to inertia". But even he could not quell fado's popularity.

"The regime did not use the fado as a tool for propaganda," says fado historian Michael Colvin, assistant professor of Hispanic studies at Marymount Manhattan College in New York. "Rather, the fado's popularity had become such that the government had no choice but to make the song a part of the consecrated national repertoire. Through censorship, Salazar insured that it did not blatantly contradict the regime's notion of progress; and by promoting the 'poor but happy' - pobrete mas alegrete - image of Lisbon's fadistas and degraded popular neighbourhoods, the government kept the potentially subversive song at bay."

"The dictatorship's relationship with fado roughly splits into two stages," says Simon Broughton, editor of the world music magazine Songlines, and director of an upcoming BBC4 documentary on fado. "From the start of the regime in 1926, Salazar dismissed it as a disreputable, lower-class, unsuitable form of music. But, from the second world war onwards, they changed tack. Fado was still massively popular, so it had to be co-opted to the government's own ends. So, while there was no outwardly fascist fado, censorship certainly neutered it in that period. The subject matter became very traditional - about wine, women, song, family and church - extolling very conservative and unchallenging images of Portugal."
By doing so, the censors sought to eradicate the fado's progressive history. Fado musicians such as the great guitarist Armandinho played at Communist party rallies in the 1920s and 30s, while the song form was explicitly used by socialist and anarchist poets in the early decades of the 20th century.
Those militant songs were eradicated by Salazar's censorship laws, but the radical tradition was kept - albeit more subtly - by songwriters in the 1960s.
Contrary to her reputation as a fascist sympathiser, Amalia often tapped into fado's radical tradition. She stayed one step ahead of the censors by singing slyly subversive songs with lyrics by leftwing poets such as Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O'Neill and David Mourao Ferreira. She was also a generous donor to underground anti-fascist political organisations, especially the National Committee to Assist Political Prisoners.
Ruben de Carvalho, a journalist and member of the central committee of the Portuguese Communist party, says Amalia's motivations were always innocent. "She gave money to anti-fascist organisations in the same passionate and, perhaps, naive way she used when she thanked her Salazarian benefactors who gave her, a simple plebeian, the chance to appear on a stage, handling a microphone." Mario Soares, a former socialist prime minister and president in the 1970s, 80s and 90s, described her as a "a conservative woman, believing in God and naturally apolitical, who knew how to get along well with the revolution of the carnations". When Amalia died in 1999, her rehabilition was complete. The state declared three days of national mourning, and she was buried as a hero in Lisbon's National Pantheon.
Amalia's memoirs suggest a simple and apolitical figure. "We never complained about life," she writes. "Sure, we knew there were people who were different from us, otherwise there would be no revolutions. But I never heard anybody talk about that. It's the privileged classes who discuss that type of thing, not the poor."
It has been argued that fado is essentially a reactionary artform. The word translates, loosely, as "fate", and fado songs always have a belief in the inevitability of destiny. "The belief that you can't choose your own fate can be a very conservative stance," says Broughton. "And Amalia was certainly conservative."
The irony is that Amalia's recordings - especially the crackly old 78s from the 1940s and 50s - still sound eerily futuristic and utterly international in their scope. While the fascists used it as a symbol of Portuguese nationalism, the fado actually channelled hundreds of years of influences from around the Lusophone world and beyond.
The rattling sound of a Portuguese guitarra - a 12-string, pear-shaped lute - can sound like an autoharp, an Alpine zither, or a bazouki, while the music can often sound like Greek rebetika, Brazilian choro, Cuban son, Andalucian flamenco or Sephardic folksong. And Amalia's insolent voice can sound variously like a Bollywood singer, an Arabic muezzin, a soul diva, or even, on several tracks, uncannily like Antony Hegarty from Antony and the Johnsons.

The innovative musical template laid down by Amalia has been the inspiration for a new generation of fado singers. Madredeus, a Portuguese collective fronted by singer Teresa Salgueiro, have taken the fado into groundbreaking electronic territory, while songs associated with Amalia have been interpreted by young singers including Katia Guerreiro, Margarida Bessa, Misia, Cristina Branco, Joana Amendoeira and, most famously, Mariza, who has broadened the genre's scope by sourcing consciously impure influences from jazz, African, Brazilian, gospel and classical music.

In many ways, all of them are reconnecting to the pre-Salazarist fado, celebrating its vagabond ancestry and its international roots. When a Portuguese writer described the fado, in 1926 as "a song of rogues, a hymn to crime, an ode to vice, an encouragement to moral depravity, an unhealthy emanation from the centres of corruption, from the infamous habitations of the scum of society", he identified a set of associations that a new generation of fadistas wear like a badge of honour.

Björk says ...
I have to admit my ignorance here; a lot of the time I don't know what Amalia Rodriguez is singing about. But the music is so fierce, I can tell it's fighting. It's the same with religious music. I'm so tired of religion, but then you hear religious music and it inspires you. For 10 or 11 years, until I recorded Medulla, I didn't listen to vocalists; I wanted to find my own voice. Then I began to listen to listen to tons of vocalists, to choral music, and to Amalia.
And the beat goes on: a beginner's guide to fado
Amalia Rodrigues
The Art of Amalia Rodrigues, (Hemisphere/EMI)
Probably the best introduction to Amalia's work, this 18-track EMI compilation features material recorded between 1952 and 1970, and will give you an idea of where else to look if you're hooked.

Various artistsThe Story of Fado, (Capitol Hemisphere)
A 22-track collection, largely comprising 50s and 60s tracks from the EMI archive, occasionally moving into poppier and more experimental territory, but concentrating on fado legends such as Amalia Rodrigues and Herminia Silva.

Various artistsThe Rough Guide to Fado, (Rough Guides)
A 19-track collection from 2004 that has a few older artists but concentrates on new fadistas such as Mariza, Cristina Branco and Misia.

Jose "Zeca" AfonsoBaladas e Cancoes, (EMI France)
Not all fadistas are women. Afonso (1929-1987) is a kind of Portuguese Pete Seeger, a militant protest singer who became a national hero during the 1974 revolution. This 1967 album is a great collection of ballads, heavily influenced by the more poetic fado of Coimbra.

Christina Branco Post-Scriptum, (L'Empreiente Digitale)
A Gen-X Lisbonite who came to fado in her late teens, Branco was one of the first to reinvigorate the genre, with a subtle bluesiness to her delivery.

Madredeus Existir, (Capitol/Metro Blue)
There are some awful albums with names like "Chillfado" that try to update fado for a clubby generation. These abominations are not to be confused with the often inspired Madredeus, whose electronic update on fado, blended with dub, gothic chant and Argentinian tango, invokes sources as disparate as Massive Attack, Gotan Project and the Cocteau Twins.
Mariza Fado Curvo, (Times Square Records)

Dramatic, hotly hyped, Viennettahaired, half-Mozambican platinumblonde tackles plenty of songs associated with Amalia, but enlarges the traditional fado palette to incorporate strings and bossa nova.

Misia Paixoaes Diagonais Diagonais, (Erato/Detour)
The first of the new wave of fado singers, Misia links fado to a lavish pop production on this 1999 album, but retains the dignified, graceful gravity of the genre.
· Mariza and the Story of Fado will be shown on BBC4 in July
Friday April 27, 2007

20 de março de 2008

Cientistas estudam espécie de ave que "canta menos" por estar a desaparecer

Diminuição da população afecta o canto da Calhandra Dupont
A Calhandra Dupont, Chersophilus duponti, pequena ave que vive em território espanhol, está a diminuir a variedade do seu canto à medida que desaparece da natureza. Essa é a principal conclusão de uma investigação de um grupo espanhol, publicada hoje na revista "Public Library of Science" (PLoS ONE).Os machos desta espécie, Chersophilus duponti, cantam para conquistarem as fêmeas e avisarem os outros machos da sua presença. Mas necessitam de machos adultos para aprenderem a fazê-lo.O estudo foi realizado no Vale do Ébro por um grupo da Estación Biológica de Doñana, de Sevilha. Da Primavera de 2004 até à Primavera de 2007, durante o amanhecer e o anoitecer, eram gravados os cantos dos machos.“Conseguimos gravar 330 machos, que são os únicos que cantam”, disse Paola Laiolo, principal autora do artigo publicado, ao jornal "El Mundo". As gravações foram feitas em 19 locais diferentes, em que as populações “iam somente de dois indivíduos até mais de 50”, sublinha a bióloga.A unidade de canto desta ave é formada por doze sequências diferenciadas em frases, cada uma com treze notas. “As fêmeas são atraídas por estes cantos e elegem o seu par de acordo com a complexidade das canções”, diz Laiolo.Os juvenis desta espécie aprendem as vocalizações com os machos adultos. Fazem isto durante o Verão em apenas 30 dias. No entanto, nos locais onde as populações são compostas por menos indivíduos, os juvenis perdem o reportório de cantos, notas e sequências, por não terem com quem aprender.A investigação também concluiu que quando os jovens não têm indivíduos da mesma espécie para poderem aprender, começam a imitar outras aves que vivem nos mesmos locais.Este fenómeno pode ser um novo indicador da biodiversidade e do estado de vulnerabilidade das populações. É uma característica que poderá ser aplicada a outras espécies, principalmente a grupos como as aves cuja presença é muitas vezes confirmada pelo canto. Na Europa, o Chersophilus duponti já só se encontra disperso na região cantábrica de Espanha. Pensa-se que não existam mais do que 2000 machos reprodutores. A espécie já existiu em Portugal mas o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal dá-a como Regionalmente Extinta. Os outros locais onde se podem encontrar a espécie são Marrocos, Argélia e Egipto.

14 de fevereiro de 2008

Seca: Agricultores alentejanos preocupados


A falta de chuva e as altas temperaturas para a época estão a afectar as pastagens para os animais e as culturas de Outono/Inverno no Alentejo, como cereais e olival, deixando os agricultores preocupados há já quatro meses.
«Esta situação preocupa-nos há quatro meses. A falta de água está a prejudicar as culturas de cereais, a olivicultura e o desenvolvimento das pastagens naturais», disse hoje à agência Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP), Fragoso de Almeida.
O responsável disse que, «por enquanto, não há casos dramáticos», mas advertiu que os agricultores vão ter de «adquirir forragens e rações a preços bastante elevados».
Os agricultores da região começam já a fazer contas à vida, como é o caso de António Carvalho, proprietário de uma herdade com 300 hectares na freguesia de Alegrete (Portalegre).
«Comprar rações ou palha é quase impossível, devido ao custo elevado desses produtos. É só perder dinheiro«, desabafou o agricultor.
Para António Carvalho, que possui cerca de 900 ovelhas de leite e um efectivo de 70 bovinos, o Verão que se avizinha apresenta-se como um dos principais dramas.
«O que nos preocupa é o Verão. Não há reservas de água nas nossas barragens e, se não chover bastante nos meses de Março e Abril, estamos perante um grave problema quando chegar o tempo quente», observou.
António Carvalho lamentou que a falta de chuva, até meados de Fevereiro, esteja a prejudicar o desenvolvimento das pastagens naturais.
«Agora, deveríamos de estar a atravessar o período de vacas gordas, mas as ervas não crescem porque não existe humidade suficiente nas nossas terras«, desabafou.
Diário Digital / Lusa
13-02-2008 16:47:00

9 de janeiro de 2008

Julgamento e Morte do Galo do Entrudo


Culturguarda, entidade que gere o Teatro Municipal local, anunciou hoje a criação e produção de um espectáculo de Carnaval com base nas tradições concelhias.

20 de dezembro de 2007

Israel à procura da ave certa para aniversário



Nem pomba nem falcão. No momento de escolher a ave que será o emblema do 60.º aniversário da criação do seu estado, os israelitas não querem nenhuma das imagens geralmente associadas aos seus políticos: pombas para os moderados, falcões para os radicais. Nos próximos seis meses, cabe aos eleitores decidirem entre uma dúzia de aves. E a decisão promete não ser pacífica.Bem cotados na lista elaborada há alguns dias um grupo de ornitologistas estão o pavoncino, o mocho branco, o falcão vermelho, o abutre-fusco, o guarda-rio, a poupa, o rouxinol e o colibri.
"Ficámos muito surpreendidos por aves tão comuns e carregadas de simbolismo cultural como a pomba não constarem desta lista", disse à AFP Amir Balaban, o responsável pelo Centro Ornitológico de Jerusalém.A descrição das aves seleccionadas está disponível no site da Sociedade Israelita para a Protecção da Natureza.
Até 8 de Maio, cabe a escolas, peritos, políticos e intelectuais fazer a sua escolha.

11 de dezembro de 2007

Álbum «Vozes de nós», que recupera temas do cancioneiro tradicional português


Grupo coral Cramol edita este mês o álbum «Vozes de nós»
O grupo coral feminino Cramol edita este mês o álbum «Vozes de nós», que recupera temas do cancioneiro tradicional português cuja origem se perde no tempo e em que a mulher é a figura central.
Este é o segundo álbum das Cramol, que surgiram em 1979, e apresenta 46 canções oriundas de várias regiões do país, a maioria do norte de Portugal, e muitas delas são agora registadas pela primeira vez em CD.
São canções tradicionais e populares que eram cantadas na lavoura e em casa, são canções de embalar, religiosas ou que acompanhavam o quotidiano das mulheres do campo e que as Cramol tentaram interpretar o mais próximo do original.
«A ideia das Cramol foi sempre essa, de remeter para o original, de procurar uma sonoridade que se aproxime daquilo que nós somos», disse à agência Lusa Margarida Antunes, uma das cantoras do grupo.
«O país é pequeno, mas extremamente diversificado na paisagem e a música acompanha essas diferenças», disse a cantora.
É por isso que algumas das canções, como as de campo, obrigaram a um esforço físico maior por parte das intérpretes, a maioria a viver na cidade.
«Foi preciso deitarmos abaixo algumas barreiras, porque as mulheres que trabalhavam no campo tinham que projectar mais a voz e por isso às vezes parece que a nossa voz está mais, digamos, esganiçada», explicou Margarida Antunes.
Quando se procura este tipo de registo vocal, «há quase que uma transformação interior» e descobre-se sempre uma memória daquilo que é a tradição portuguesa, sublinhou a cantora.
«Quando conseguimos chegar àquele ponto que achamos que é próximo do original, é um arrepio total», comenta Margarida Antunes.
As 16 mulheres que integram hoje as Cramol cantam sobretudo temas polifónicos de regiões como a Beira Alta, Minho e Trás-os-Montes, mas também repertório do cancioneiro regional de Lafões e de Arouca.
Muitos dos temas aqui recuperados em «Vozes de nós» partem de recolhas feitas por Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça.
O primeiro disco apresenta 33 temas, ao qual as Cramol juntaram um disco bónus apenas com temas religiosos e de embalar, por estarmos próximos do Natal, abrangendo o ciclo da vida e o da religião.
«O que é interessante neste álbum é o repertório que é riquíssimo e revela que a mulher teve sempre um papel preponderante em tudo, esteve sempre presente em tudo, no trabalho do campo, no trabalho em casa, com os filhos», recorda Margarida Antunes.
Em quase trinta anos de vida, este é apenas o segundo registo das Cramol, porque «gravar nunca foi uma prioridade», no entanto muitos dos temas que o integram tem sido cantados ao vivo pelo grupo há mais de vinte anos.
As Cramol, que já chegaram a ter 22 elementos - ou «cramolesas», como diz Margarida Antunes - surgiram em Oeiras, no âmbito da associação cultural Biblioteca Operária Oeirense, fundada em 1933.
São um grupo amador cuja média de idade ronda os 50 anos e integra professoras, médicas ou bancárias que cantam à capella.
Gravaram um primeiro álbum, homónimo, em 1996, seguindo-se este «Vozes de nós», 11 anos depois, com edição própria e distribuição da Ocarina.
Segundo Margarida Antunes, não será preciso esperar outros 11 anos para editar o novo álbum, até porque o próximo registo já está praticamente estruturado e deverá sair dentro de dois anos.
«Vozes de nós», que conta com produção e direcção musical de Eduardo Paes Mamede, foi gravado este ano no Lagar de Azeite, em Oeiras, o mesmo local onde será oficialmente apresentado, na quarta-feira.
Diário Digital / Lusa
11-12-2007 10:25:00

Galo de Barcelos vai ser certificado a partir de 2008


O Galo de Barcelos, popular peça de artesanato português, vai passar a ser certificado a partir de 2008, num processo assegurado pela Aderminho, grupo responsável pela certificação dos lenços de namorados de Viana do Castelo, informa hoje a TSF, que acrescenta que o produto vai receber um selo para atestar a sua origem.
Em declarações à emissora, Teresa Costa, responsável da Aderminho, afirma não haver razões para que os artesãos receiem este processo de certificação, explicando que a medida serve «para valorizar o produto do artesão».
A Aderminho vai atribuir a cada artesão uma acreditação que estabelece que o mesmo está apto a colocar o selo de certificação nas suas peças, explicou Teresa Costa.
11-12-2007 12:49:01

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay