Mostrar mensagens com a etiqueta Escritores Portugueses. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escritores Portugueses. Mostrar todas as mensagens

16 de maio de 2013

Prémio Rainha Sofia evidencia «a importância da poesia portuguesa»

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nuno Júdice, hoje distinguido com o Prémio Rainha Sofia, afirmou que o galardão ajudará à projecção da sua obra, e sublinhou que evidencia «a importância da poesia portuguesa» no contexto ibero-americano.

«Vai dar projecção à minha obra, mas mais importante que isso, mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante neste contexto [ibero-americano]», disse à Lusa o autor, que confessou estar «contentíssimo» como o galardão.
Nuno Júdice que está publicado em Espanha e em vários países da América Latina reconheceu que é «razoavelmente conhecido, mas não foi isso que terá contribuído para o prémio», que foi «uma surpresa quando soube hoje de manhã».
O poeta está a trabalhar num novo livro de poesia, ainda sem título, que «deverá ser editado no final deste ano ou no princípio do próximo».
Nuno Júdice, de 64 anos, é autor de 30 livros de poesia, entre eles, «A matéria do poema» e «Guia dos conceitos básicos», editado em 2010.
O autor, que começou a publicar poesia em 1972 - «A noção do poema» e «O pavão sonoro» -, tem escrito também obras de ensaio, teatro e ficção.
Além do universo hispânico, Nuno Júdice tem obras traduzidas em Itália, Inglaterra e França.
A obra de Nuno Júdice tem sido distinguida com vários galardões, e em 1994 foi finalista do Prémio Europeu de Literatura.
Diário Digital com Lusa

11 de novembro de 2008

Manuel Maria Barbosa du Bocage


Às águas e às areias deste rio
Às flores e aos Favónios deste prado
Meus danos conto,minhas mágoas fio
Dou queixas contra Ismene, Amor e o Fado.
A paz do coração posta em desvio,
O gosto em desenganos sufocado,
Lágrimas com lembranças desafio,
E pela tarde a Morte às vezes brado.
Tão maviosos são meus ais mesquinhos,
Tanto pode a paixão que em mim suspira,
Que se esquecem das mães os cordeirinhos.
O vento não se mexe ,nem respira;
Deixam de namorar-se os passarinhos,
Para me ouvir chorar o som da lira.
Bocage

16 de abril de 2008

Editora de Coimbra reaparece com nova colecção de clássicos







A editora de Coimbra Angelus Novus apresenta na próxima sexta-feira, dia 18 de Abril, duas obras clássicas de autores portugueses, anotadas e comentadas, que inauguram uma nova colecção e marcam o seu relançamento editorial, após três anos de interregno.
A colecção, intitulada Biblioteca Lusitana, dirigida pelo docente universitário António Apolinário Lourenço, abre com os títulos «Mensagem», de Fernando Pessoa, e «Menina e Moça», de Bernardim Ribeiro. A primeira tem comentários e notas do próprio Apolinário Lourenço e a segunda está a cargo de Juan M. Carrasco González, professor da Universidade de Extremadura (Cáceres, Espanha).
O terceiro livro da colecção será «O Soldado Prático», de Diogo do Couto, editado por Ana María García Martín, da Universidade de Salamanca, a que se seguirão «Rimas» e «Os Lusíadas», de Camões (respectivamente editados por Maria do Céu Fraga e José Augusto Cardoso Bernardes).


Uma antologia da poesia trovadoresca (editada por dois especialistas galegos, Carlos P. M. Pereiro e Manuel Ferreiro), «Clepsidra», de Camilo Pessanha, uma antologia de «Trabalho Poético», de Carlos de Oliveira (por Osvaldo Silvestre), e de alguns autos vicentinos (editados por Pedro Serra e Ana María García Martín), farão igualmente parte da colecção.
A Biblioteca Lusitana incluirá os principais autores portugueses, como Camões e Fernando Pessoa, Eça de Queirós e Gil Vicente, Cesário Verde e Diogo do Couto, Vieira e Almeida Garrett. Entre os especialistas convidados para editarem as obras que integram esta colecção contam-se Ofélia Paiva Monteiro, Paulo Franchetti, José Augusto Cardoso Bernardes e Abel Barros Baptista.
Com esta colecção, a Angelus Novus pretende recuperar uma tradição de publicação de obras didácticas, seguindo um critério uniforme para todas elas, a que os estudiosos se submetem na elaboração de comentários e notas que acompanham cada uma.
«Sem querer tirar importância à colecção »Obras Clássicas da Literatura Portuguesa«, promovida pelo Ministério da Cultura e que envolve várias editoras, a verdade é que não há uma estratégia única nessa colecção e alguns livros não são sequer anotados, limitando o trabalho do editor a um prefácio ou um posfácio», realçou à agência Lusa António Apolinário Lourenço, da Faculdade de Letras de Coimbra.
As obras que integram a Biblioteca Lusitana - acrescentou - «são trabalhadas de acordo com regras muito precisas», e, por isso, haverá em todos os livros uma introdução, uma bibliografia selectiva e uma cronologia, para além do texto literário anotado. Conterá notas filológicas e notas interpretativas, «em que a fixação do texto é uma das tarefas mais importantes», enquanto a ortografia aparecerá modernizada.
Segundo António Apolinário Lourenço, as obras desta colecção dirigem-se preferencialmente a estudantes dos anos terminais do ensino secundário e do ensino superior, bem como a professores de português.
Os dois primeiros volumes da Biblioteca Lusitana serão lançados sexta-feira no Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, e a apresentação estará a cargo de José Carlos Seabra Pereira e José Augusto Cardoso Bernardes.
Diário Digital / Lusa

8 de outubro de 2007

Canário


História centrada em torno de duas personagens: um homem que está preso, por ter matado o companheiro da mãe, que tinha mais ou menos a sua idade; um escritor muito famoso, que enfrenta uma crise criativa. A sua vida perfeita é assombrada pelo autismo do neto, que ele finge não existir. De repente, o seu próprio casamento de muitos anos é posto em causa. Apresentam-lhe um filho que desconhecia...Um poderoso romance sobre a vida na prisão, as relações e conflitos que se criam no interior das cadeias e sobre o que é ser prisioneiro. Mas também, e sobretudo, sobre a escrita e sobre os limites do escritor. Até onde está disposto a ir para encontrar inspiração para escrever?

7 de agosto de 2007

Eça de Queirós


....."Bafos de aragem quente entravam; ouvia-se ferver a panela no fogão, e fora o martelar incessante da forja; às vezes o arrulhar triste de duas rolas que viviam na varanda, numa gaiola de vime, punha na tarde abrasada uma sensação de suavidade.
A campainha retilintou, sacudida com impaciência.

— Com a cabeça, burro! - disse Juliana.".....
..."Dos dois lados do tabique que cercava o terreno vago, agachavam-se os tetos escuros das duas ruazitas paralelas; eram casas pobres onde viviam mulheres, que pela tarde, em chambre ou de garibaldi, os cabelos muito oleosos, faziam meia à janela, falando aos homens, cantarolando com um tédio triste. Do outro lado do terreno, verduras de quintais, muros brancos davam àquele sítio um ar adormecido de vila pacata. "...
Sebastião tinha estado nos últimos três dias em Almada, na Quinta do onde trazia obras.
Voltara na segunda-feira cedo, e, pelas dez horas, sentado no poial da janela de jantar que abria para o terraçozinho, esperava o seu almoço, brincando com o Rolim - o seu gato, amigo e confidente da ilustre Vicência, nédio como um prelado, ingrato como um tirano.
"...A manhã começava a aquecer; o quintal estava já cheio de sol; na água do tanque, sob a parreira, claridades espelhadas e trêmulas faiscavam. Nas duas gaiolas os canários cantavam estridentemente.
A tia Joana, que andava a arranjar a mesa do almoço muito calada, pôs-se então a dizer com a sua vozinha arrastada e minhota:
— Ora, esteve aí ontem a Gertrudes, a do doutor, com uns palratórios, com umas tontices!...
— A respeito de quê, tia Joana? - perguntou Sebastião.
— A respeito de um rapaz, que diz que vai agora todos os dias ...."

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay