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8 de abril de 2007

Canção Popular Portuguesa















Esta manhã fui à caça
lindo canário cacei
para trazer de presente


à filha do nosso rei
A filha do nosso rei
ela era brasileira
mandou fazer uma gaiolada
mais fininha madeira


Depois da gaiola feitas
eu canário meteu dentro
quer de dia quer de noite
era o seu divertimento


Canário já se morreu
já lá vai para o deserto
diziam as moças toda
se morreu com o bico aberto


Canário já se morreu
já lo vão ir a enterrar
diziam as moças toda
se morreu por confessar


J.João (Constantim (Miranda); cantado pela Sr. Maria Cristal 1982)

25 de março de 2007

26 de fevereiro de 2007

Musica Portuguesa com o tema aves















Era um passarinho


Queria voar


E lá no seu ninho


Estava a pensar


Tinha tanto medo


Que olhando pro chão


Batia ligeiro


O seu coração


E sol gritou tens de voar


É o teu destino Toca a saltar


E o passarinho esvoaçou


Caiu no chão e não chorou


Mas de repente,


sem hesitar


Olhou o sol pos-se a voar.


Estava no mundo,


tinha de ser,


Perdeu o medo e foi viver.


Carlos Paião Musica de Tó Maria Vinhas

25 de fevereiro de 2007

Musica Portuguesa com o tema aves











HORAS DE SOLIDÃO

Na torre batem as horas.


Nem viv'alma pelas ruas.


Amor, por que te demorase esta saudade acentuas?


No meu peito, dói a espera.


Um nó me aperta a garganta.


Não pode haver primavera


se o passarinho não canta.


Se o passarinho não canta,


não pode haver primavera,


Um nó me aperta a garganta.


No meu peito, dói a espera.


Nos campos não há trigais...


E sem trigo não há pão!


Meu amor, não tardes mais,


que morro de solidão!



José-Augusto de Carvalho
10 de Março de 2006. Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Música de Maria Luísa Serpa

Canções com aves e outros animais






EU OUVI UM PASSARINHO



Eu ouvi um passarinho
às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas
à porta da sua amada.

Ao ouvir cantar tão bem a sua amada chorou.
Às quatro da madrugada o passarinho cantou.
Alentejo quando canta,
vê quebrada a solidão;

traz a alma na garganta
e o sonho no coração.
Alentejo, terra rasa,toda coberta de pão;
a sua espiga doirada lembra mãos em oração.

Portuguese Music about Birds/ Musica Portuguesa do Raminho, Açores















O Raminho quando canta
Recordando a tradição
Traz a alma na garganta
E o sonho no coração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Numa casa do Raminho
Onde vive a sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chegou
Por isso pra mais ninguém
O passarinho cantou

Raminho nunca mais finda
O amor que tenho por ti
Tu és a coisa mais linda
Como ainda nunca vi

Tens muitos filhos ausentes
Por esse mundo além
Mas estão sempre presentes
Porque lhes queres muito bem

Lembram o teu Império
E os teus antepassados
E a Pia do Baptistério
Onde foram baptizados

Não esquece a tourada
Nem o cortejo de oferendas
E uma boa sardinhada
No teu Parque de Merendas

Do Miradouro ninguém esquece
Nem da Vigia da Baleia
Raminho até parece
Que não nos sais da ideia

Para ti quero voltar
Se nada me acontecer
Raminho quero acabar
Na terra que me viu nascer

Eu ouvi um passarinho

Às quatro da madrugada

Numa casa do Raminho

Onde vive a sua amada

Por ouvir cantar tão bem

A sua amada chegou

Por isso pra mais ninguém

O passarinho cantou


Manuel Ourique - Açores, Angra do Heroismo

14 de fevereiro de 2007

ALA DOS NAMORADOS








ALFAMA-LISBOA-LISBON
Pala saída que tem
Da vadiagem alguém
Chamou-lhe o Zé Passarinho
Fala em verso e as mulheres
Ao fim de duas colheres
Leva-as no bico p'ró ninho
Sabe os fados do Alfredo
Rima que até mete medo
Nesta função é doutor
Tem os tiques de fadista
Mão no bolso, lenço e risca"Baixem a luz por favor!"
Uma triste noite ao frio
Cantava-se ao desafio
Para aquecer as paixões
Quando um estranho se levanta
Para mostrar como se canta
Faz-se à Rosa dos Limões
O povo ficou sentido
Com aquele destemido... morrer engasgado!
Palavra puxa palavra
Desata tudo à estalada
Com o posto ali ao lado
Nem foi preciso a carrinha
Tudo na sua perninha
Numa linda procissão
Das perguntas com carinho
Ficou preso o Passarinho
Só para investigação
Nasce o dia atrás da Sé
E ninguém arreda pé
Nem por dó, nem por esmola
O povo ficou sentado
Para ouvir cantar o fado
Passarinho na gaiola




























%3

23 de novembro de 2006

A ave e a poetisa














O Auto da Feiticeira Cotovia de Natália Correia .



Nasceu na ilha em Ponta Delgada, ilha de São Miguel em 1923 e faleceu em Lisboa em 1993. Personalidade intelectual versátil, dedicou-se a vários géneros, além de marcar a sua presença na política e na imprensa. Sua produção abrange a poesia, o romance, o teatro, o ensaio, memórias, relatos de viagem, organização de antologias e colaboração em vários jornais e revistas. Embora tenha começado pela literatura infantil (A Grande Aventura de um Pequeno Herói, 1945) e pelo romance (Anoiteceu no Bairro, 1946) foi na poesia que encontrou a expressão mais depurada de seu temperamento a um só tempo lírico e irónico, características acentuadas a partir de Dimensão Encontrada (1957) e em suas obras dramáticas. Dentro dessa linha, que a tendência surrealista da poesia portuguesa pós-1950 vem sublinhar, compôs grande parte de sua obra poética, revelando um discurso lírico insólito e singular a oscilar entre a linguagem alegórica e a voz interventora. Estão neste caso, por exemplo, Passaporte (1958), o longo poema Cântico do País Emerso (1961) e mais tarde Mátria e Maçãs de Orestes (1970). Em seu livro Poemas a Rebate, publicado em 1975, chama, na introdução, ao conjunto de seus “poemas indóceis” de “pentagrama de indignação”. Indignação constante é o que não falta á obra de Natália Correia seja motivada pela censura que a amordaçou por longo tempo, seja por uma insurreição natural a todos os engodos ideológicos da organização social. A capacidade de abranger, contudo, várias expressões líricas, bem como sentimentos e visões aparentemente opostos, entre a subjectividade romântica e a objectividade realista, levaram-na à composição, nos dois últimos anos, de Sonetos Românticos (1991, Grande prémio da Poesia APE/CTT), na poesia, e ao romance As Núpcias (1992). No primeiro, parece voltar à primeira fase de sua expressão em virtude da abstraccão do objecto lírico, não obstante, agora, mais intelectualizada, beirando certo misticismo da criação poética, da escrita, da expressão verbal. Por isso, define o soneto como “misterioso nó que em sacra escrita / cimos e abismos une”. Abismos, que enfim, de onde sempre procurou garimpar a sua “aurífera” poesia.

FALAVAM-ME DE AMOR
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocava
so que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia- "O Dilúvio e a Pomba"

25 de setembro de 2006

O Homem e as aves (P1)




Poesia (PORTUGAL)
Pombas brancas
Que voam altasRiscando as sombras
Das nuvens largas
Lá vão
Pombas que não voltam
Trazem dentro
Das asas prendas
Nas bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar
Canto apenas
Lembranças várias
Vindas das sendas
Que ninguém sabe
Onde vão
Pombas que não voltam
José Afonso
POMBAS - Pretendia-se que a melopeia, feita de reiterações e alongamentos em que a voz mantém as sílabas finais até se extinguir lentamente, correspondesse a um fundo indepen­dente do contexto literário e vice-versa. O poema, a melodia e o acompanhamento separam-se e reúnem-se de novo, repelidos por uma espécie de movimento ascencional sem princípio nem fim. A voz eleva-se e tenta fixar por meio de modulações adequadas o voo dos pássaros que se perde na distância. (José Afonso)

Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay