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16 de setembro de 2019

Freamunde viaja 300 anos no tempo até à oficialização do capão





A primeira edição de 300 anos do Capão de Freamunde decorre de 13 a 15 de Setembro na cidade que lhe dá nome, no concelho de Paços de Ferreira.

Susana A. Oliveira 13 de Setembro de 2019, 18:31

A ideia de comemorar aquele que ao longo do tempo se tornou uma característica da freguesia nortenha “surgiu há cerca de um ano, durante um fórum associativo organizado pela Junta de Freguesia onde participaram associações locais”, adiantou Filipe Lopes, elemento da organização do “300 Anos do Capão de Freamunde”.


Comemora-se a oficialização da criação e comercialização do capão no reinado de D. João V no ano de 1719, embora a prática remonte ao tempo dos Romanos. Consta-se que a ideia de capar os galos surgiu apôs o Cônsul Romano Caio Cânio ter proibido a existência destas aves na cidade de Roma por estar cansado de perder sono devido ao cantar dos galos. Alguém decidiu capá-los e desta maneira não contrariaria a lei.

O capão é, então, um galo que é castrado “antes de atingir a maturidade sexual”, passando o resto da sua vida comendo só produtos naturais. A castração aumenta-lhe a massa muscular, o que faz aumentar o teor de gordura.

A feira que se espalhará ao longo das ruas do centro urbano de Freamunde investe em elementos “que remetem para o passado histórico de D.João V”, levando os visitantes a viajar pela história, através da demonstração de ofícios, da feira de animais, dos teatros, da dança, da música alusiva à época, entre outras actividades, que podem ser consultadas online.

13 de agosto de 2019

Poluição pode ser tão má para pulmões como um maço de tabaco por dia


Resultado de imagen de enfisema em ave


Investigação norte-americana concluiu que se o nível do ozono no ambiente aumentar muito em relação ao que se verificava há uma década, tal terá efeitos no enfisema idênticos a fumar um maço de cigarros por dia.
O novo estudo, feito pelas universidades norte americanas de Washington, Columbia e Buffalo, foi publicado na revista científica da Associação Médica Americana (The Journal of the American Medical Association — JAMA). No artigo, os investigadores advertem para o facto de a poluição do ar acelera a progressão do enfisema pulmonar.
Ainda que estudos anteriores já tenham mostrado uma ligação clara entre os poluentes no ar e algumas doenças pulmonares e cardíacas, o novo estudo demonstra a associação entre uma exposição prolongada aos principais poluentes atmosféricos, especialmente o ozono, e o aumento do enfisema.
O enfisema pulmonar é a destruição do tecido pulmonar, que causa tosse e falta de ar e leva à redução do oxigénio no sangue, o que dificulta a respiração e aumenta o risco de morte.

“Ficámos surpreendidos ao ver nos exames aos pulmões como foi forte o impacto da poluição atmosférica na progressão do enfizema, ao mesmo nível dos efeitos do tabagismo, o qual é de longe a causa mais conhecida de enfiema”, disse um dos principais autores do estudo, Joel Kaufman, professor de Ciências Ambientais e Saúde Ocupacional da Universidade de Washington.

A investigação concluiu que se o nível do ozono no ambiente aumentar muito em relação ao que se verificava há uma década, tal terá efeitos no enfisema idênticos a fumar um maço de cigarros por dia.

Os resultados do estudo são baseados numa extensa investigação, de 18 anos, envolvendo mais de 7.000 pessoas e um exame detalhado da poluição do ar entre 2000 e 2018 em seis regiões metropolitanas dos Estados Unidos.

A subida das temperaturas devido às alterações climáticas leva também ao aumento do ozono ao nível do solo, um problema para o qual a solução pode passar pela redução das emissões poluentes.


28 de agosto de 2016

Cem mil árvores para nos plantar uma ideia na cabeça


Se mora na Área Metropolitana do Porto é possível que nalgum passeio por uma zona verde das redondezas se tenha deparado com um pilarete em madeira com a seguinte inscrição: “Estamos a criar uma floresta nativa com a ajuda de muitos cidadãos voluntários. Preserve-a”. O alerta resume o que têm sido os últimos cinco anos da bióloga Marta Pinto e da pequena equipa que mobilizou centenas de pessoas e organismos vários em torno de Futuro: o Projecto das 100 Mil Árvores, que tem andado a plantar uma ideia na cabeça de milhares de cidadãos.

É assim todos os Verões, na época dos fogos. Nas últimas semanas, muito se tem falado da importância das espécies nativas para o ordenamento florestal português e para a resistência da floresta contra os incêndios. Mas, há cinco anos, as instituições reunidas na rede informal do Centro Regional de Excelência - Educação para o Desenvolvimento Sustentável (CRE-Porto), fundado pela Católica, a Direcção Regional de Educação e a Área Metropolitana decidiram que era preciso acordar a população para a importância de árvores cujos nomes deixamos de conhecer ou nunca nos foram sequer ensinados.

Quando a voz se cala, também a guitarra portuguesa canta



Ligada umbilicalmente ao fado, a guitarra portuguesa pouco tem ousado para afirmar a sua autonomia. No entanto, surgem sinais de que há vida para além do acompanhamento. A família Parreira, José Manuel Neto, Marta Pereira da Costa, Miguel Amaral e Luís Varatojo são disso exemplo.


Continua a tocar em casas de fados e a acompanhar em concerto algumas das vozes maiores do fado, mas hoje António Parreira dedica-se sobretudo a passar o seu conhecimento e o legado maior da guitarra portuguesa aos 22 alunos – a quem ensina a domar o instrumento que Carlos Paredes milagrosamente fundiu com a ideia musical do ser português. Talvez porque António Parreira, um dos grandes mestres da guitarra, não teve a vida facilitada por uma escola oficial como a do Museu do Fado, onde lecciona.
Nascido no Monte das Taipas, Santa Margarida da Serra (concelho de Grândola), em 1944, começou a admirar a guitarra portuguesa que o tio mantinha guardada numa arca, tirada do sossego apenas para “tocar o Fado Corrido no quinto ponto”. Era uma admiração que o tio pretendia que se fizesse à distância. António, com sete, oito anos, estava proibido de tocar. Nada mais tentador: sempre que o tio saía de casa e ia cuidar da sua vida, o miúdo esgueirava-se até lá, roubava a guitarra à arca e reproduzia as posições dos dedos que decorara ao pormenor.

30 de outubro de 2013

O andorinhão-real é capaz de voar 200 dias sem uma única paragem


http://www.avesdeportugal.info/apumel.html


A migração de três andorinhões-reais foi registada com um pequeno aparelho colocado nas aves por uma equipa de investigadores suíços. 
Fica por descobrir como é que as aves dormem durante o voo
Chegando o final do Verão, as várias espécies de andorinhões abandonam os locais na faixa mediterrânica, de Portugal à Bulgária, onde fazem os seus os ninhos e voam em direcção à África Subsariana, à procura do seu alimento preferido - insectos -, que escasseia na Europa durante o Inverno. 

Há muito que se acredita que estes migradores de longa distância passam grande parte da sua vida em voo. O estudo de uma equipa suíça, publicado na revista Nature Communications, vem provar que, pelo menos no caso dos andorinhões-reais, isso acontece realmente.

Os andorinhões pertencem à família dos apodídeos, do grego ápodos, que significa "sem pé". "Claro que é um eufemismo, porque eles têm patas, mas são muito pequenas, por isso quase não as usam", explica ao PÚBLICO Gonçalo Elias, investigador num estudo sobre o andorinhão-pálido na serra da Arrábida. "Passam muito tempo no ar, só vêm a terra para nidificar."
 
O estudo agora publicado mostra como três aves, anilhadas e equipadas com um aparelho localizador quando abandonaram os locais de nidificação, na Suíça, terão estado permanentemente em voo durante 200 dias - quase sete meses! - até regressarem aos mesmos locais de nidificação. Ou, no máximo, terão pousado durante períodos muito breves, em locais à mesma altura do que a do seu plano de voo.

"Têm de pousar num sítio alto, porque se pousam no chão não conseguem levantar voo, devido às suas asas muito grandes", acrescenta Helder Costa, um dos autores do livro Aves de Portugal, editado pela Assírio & Alvim.
"São aves muito bem adaptadas ao meio aéreo, com elevadíssima mobilidade", reforça Gonçalo Elias. 

"Há estudos com andorinhões-pretos que mostram que percorrem todo o continente africano, fora da época de nidificação, para se alimentarem. Neste período, não têm nenhum território fixo." Alimentam-se em voo, sem terem necessidade de pousar, utilizando o seu bico curto e largo e uma boca grande, capaz de apanhar uma grande quantidade de insectos, como se fosse uma rede de arrasto de um navio de pesca.

Para perceber melhor os voos dos andorinhões-reais, foram colocados pequenos aparelhos em seis animais enquanto nidificavam na Suíça. Destes, conseguiram-se recuperar três, quando regressaram aos locais de nidificação no ano seguinte. "Só se conseguem capturar quando pousam nos locais de nidificação", refere Gonçalo Elias. "Não se conseguem apanhar nas redes [como as usadas normalmente para apanhar aves], porque voam muito alto."

Os dados recolhidos pelos aparelhos da equipa suíça parecem mostrar que os três animais se mantiveram em voo, fosse um voo batido ou planado, e que as aves estavam mais activas ao amanhecer e ao anoitecer, altura em que terão maior disponibilidade de alimento. Durante a noite, a actividade foi reduzida, mas desconhece-se se as aves descansaram ou dormiram e como o fizeram.
"Durante muitos anos, dormir foi considerado essencial para recuperar pelo menos algumas das funções fisiológicas do cérebro", escrevem Felix Liechti, do Instituto Ornitológico Suíço (em Sempach) e colegas, na Nature Communications.
"As necessidades de sono são diferentes consoante a espécie", especifica Gonçalo Elias. Embora os humanos precisem de dormir um certo número de horas todos os dias, há espécies que pouco descansam se têm de alimentar as crias, para aproveitar o alimento disponível, ou outras espécies que hibernam, dormindo quase metade do ano.

Recordistas das migrações
O corpo dos andorinhões, aerodinâmico e bastante leve, tem capacidade para chegar aos 110 quilómetros por hora em voo batido, e está completamente optimizado para uma maior eficiência energética, obtendo o máximo proveito no voo com um consumo mínimo de energia. Mas um voo de quase sete meses registado para estes andorinhões-reais desafia os limites das migrações.

Este tipo de movimentações, durante períodos tão longos, só era conhecido para os animais marinhos, mas estes podem manter-se dentro da coluna de água com um esforço mínimo, permitindo-lhes descansar. Mesmo o recordista das migrações, a andorinha-do-mar-árctica (Sterna paradisaea), que viaja cerca de 70 mil quilómetros anualmente para ir e voltar da Gronelândia à Antárctida, não permanece em voo durante toda a viagem, pára para se alimentar.
Acredita-se que os indivíduos das várias espécies de andorinhões que nidificam em Portugal regressem todos os anos, mantendo-se fiéis aos locais onde constroem os ninhos.

Os andorinhões-reais (Apus melba) são raros em Portugal, embora apareçam por cá, sendo mais frequentes os andorinhões-pretos e os andorinhões-pálidos. Medem 21 centímetros de comprimento e têm 53 centímetros de envergadura de asas, tornando-os a maior espécie desta família. As penas são castanho-escuras, distinguindo-se pelas manchas brancas por baixo do bico e na barriga.
Em voo, os andorinhões identificam-se por parecerem uma âncora, com as asas desproporcionadas em relação ao corpo. Apesar de algumas espécies até terem a cauda bifurcada, não são primos das andorinhas. Essas longas asas levam-nos em viagens incansáveis, como se viu agora.

in Público 

6 de abril de 2013

Está a sair água radioactiva de um dos tanques de Fukushima



A empresa de energia que explora a central nuclear de Fukushima, no Japão, a Tokyo Electric Power Co, reconheceu este sábado que cerca de 120 toneladas de água radioactiva vazaram de um dos tanques, contaminando o solo circundante. O problema vai levar duas semanas a ser resolvido.
Em conferência de imprensa, a empresa informou que ainda está por descobrir a causa do vazamento de um dos sete tanques subterrâneos que armazenam a água usada para arrefecer os reactores nucleares – os tanques são compostos por três camadas que deveriam impedir a saída da água.
Elementos radioactivos foram detectados em água colhida no solo ao redor de um tanque e da camada externa de um fundo impermeável do tanque, disse um porta-voz da empresa.
Para já, a Tokyo Electric Power planeia bombear 13 mil metros cúbicos da água remanescente no tanque afectado para outros, durante as próximas duas semanas. Não é expectável que a água radioactiva que entretanto saiu chegue ao mar, embora o tanque esteja localizado a 800 metros da costa. A empresa não divulga durante quanto tempo o tanque esteve a vazar.
De recordar que a central de Fukushima tem enfrentado uma série de problemas com o controlo de água do solo e manutenção do sistema de refrigeração, construído para manter os reactores nucleares estáveis. Ainda esta sexta-feira, a empresa deu conta de uma interrupção do sistema de refrigeração da piscina de resfriamento de combustível gasto de um dos reactores. E, em meados do mês passado, um rato causou um curto-circuito afectando os sistemas de arrefecimento do combustível nuclear.

29 de março de 2013

Cante Alentejano



Grupo Coral Os Ganhões de Castro Verde presentes no 33º. Aniversário do Orfeão de Portalegre.

Candidatura do cante alentejano entregue e aceite na UNESCO em Paris




A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade deu formalmente entrada, na quarta-feira, no comité internacional da UNESCO, revelou hoje à agência Lusa o responsável do processo, Paulo Lima.
“Depois de fazermos toda a instrução do processo em Portugal, de ter sido entregue no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e de ter seguido para Paris, [a candidatura] entrou na secretaria da UNESCO e foi aceite”, disse.
Segundo o responsável pela candidatura, que é igualmente director da Casa do Cante, em Serpa, trata-se de “um momento de grande alegria”, com esta formalização a representar, “não a fase final, mas o passo zero” do processo. “Está formalizado o pedido português da potencial inscrição do cante alentejano na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade” pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), congratulou-se.
Agora, acrescentou, “seguem-se vários passos”, até à decisão final da UNESCO, em Dezembro de 2014, sobre a classificação ou não deste bem cultural imaterial.
“Só é possível entrar uma candidatura por país” e “vai haver agora uma análise sobre cada uma. São processos demorados, porque são centenas de candidaturas, e a UNESCO vai colocar-nos, nos próximos meses, um conjunto de questões que têm a ver com a continuidade ou não do processo”, afirmou.
Paulo Lima explicou também que, além destes “vários meses de análise” da candidatura, há outros “aspectos processuais que são muito intensos e exigentes”.
“Temos um processo que tem de ser de diálogo com todos os parceiros, com todos aqueles que têm que ver com este bem imaterial que é o cante”, referiu.
Do lado português, sublinhou, é necessário intensificar o diálogo em torno do cante alentejano, que conduza “a uma consciencialização do que é este processo”.
“Porque muitas pessoas, cantadores, grupos corais, câmaras têm que ser sensibilizados para a importância do que é este momento” e para o que é agora exigido em termos de “cuidado” e de “pensar o presente e o futuro deste bem cultural imaterial”.
Tudo porque, frisou Paulo Lima, como qualquer bem que se candidata, o cante requer, agora, “um carinho muito mais especial”, sendo necessário “um trabalho colectivo de toda a região e de todo o país” para que possa vir a ser classificado.
O responsável pela candidatura disse ainda acreditar na classificação por parte da UNESCO, até porque, neste momento, já se trata de “um património do homem e do mundo”.
“No fundo, este é apenas um reconhecimento e um ‘selo’ institucional”, mas o cante “é uma expressão tão rica, forte, intensa e tão vivida que tem todas as condições, intrínsecas e extrínsecas”, para “ter o ‘selo’ da UNESCO”, afiançou.
A candidatura do cante alentejano esteve para ser entregue à UNESCO em Março do ano passado, mas o MNE decidiu adiar a sua apresentação para este ano, por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite.
in Público 


23 de dezembro de 2008

Portugal emite 6,4 toneladas de CO2 por habitante


Portugal emite 6,4 toneladas de CO2 por habitante, menos duas do que a Espanha, que desde 1996 tem vindo a aumentar as emissões de gases com efeito de estufa. Os dados vêm publicados hoje e foram reunidos pelos institutos de Estatística português e espanhol.

A publicação "A Península Ibérica em Números", apresentada pelo INE português e INE espanhol pelo quinto ano consecutivo, compara indicadores dos dois países relativos a várias áreas sócioeconómicas, como Território e Ambiente, Educação e Cultura, Saúde e Protecção Social, Mercado de Trabalho, Transportes, Comunicações e Turismo.Na área ambiental, os números hoje divulgados demonstram que enquanto Portugal tem mantido, desde 2003, emissões de dióxido de carbono em torno das seis toneladas por habitante, Espanha tem vindo a aumentar. Neste momento, emite 8,4 toneladas por habitante, valor muito próximo da média da União Europeia.Portugal encontra-se entre os países menos poluentes na União Europeia, com emissões de 6,4 toneladas de CO2 por habitante.
Menos poluentes que Portugal em 2005, só a Letónia, a Lituânia, a Roménia, a Suécia e a Hungria.
Em comparação com os espanhóis, os portugueses são também menores produtores de lixo. A maior parte do território nacional produz entre 250 e 500 quilogramas de resíduos indiferenciados, de vidro, papel e cartão, abaixo da média de Espanha que produz entre 500 e 650 quilogramas.
Enquanto em Portugal só as regiões de Lisboa, Algarve e Madeira registavam uma maior quantidade de resíduos urbanos recolhidos por habitante, em Espanha, só as regiões da Galiza, Astúrias, Extremadura, Catalunha, Ceuta e Melilla têm baixos níveis de produção de lixo.
Segundo os mesmos dados, em 2005, as regiões de Lisboa, Algarve, Açores e Madeira eram, a par com a Andaluzia, Astúrias e Cantábria, as regiões da Península Ibérica mais gastadoras de água.
Naquelas regiões, cada habitante consumia, em 2005, entre 180 a 420 litros de água por dia, enquanto o consumo médio na maior parte das regiões da Península Ibérica é entre 150 e 180 litros de água por dia.
Ao contrário, as regiões Norte de Portugal e Navarra, La Rioja e País Basco, Baleares, Ceuta e Melilla e Canárias, de Espanha, registavam um menor consumo, já que cada habitante gastava apenas entre 100 e 150 litros por dia, segundo os mesmos dados.

18 de agosto de 2008

Aves viajam em auto-estradas de vento para poupar energias


Estudo de investigadores espanhóis com cagarras
Aves viajam em auto-estradas de vento para poupar energias


As longas rotas migratórias das aves, que sempre intrigaram os investigadores, podem denunciar que algumas espécies aprenderam a disfrutar das correntes de vento muito antes dos navegadores portugueses o terem feito. Uma equipa de investigadores espanhóis chegou a esta conclusão depois de ter analisado as rotas migratórias da cagarra. Os resultados foram publicados na revista “Public Library of Science-One”.


Segundo a edição on-line do “El Mundo”, a equipa da Universidade da Extremadura, do Real Jardim Botânico e da Universidade de Barcelona traçou uma simulação matemática a partir da observação das rotas migratórias da cagarra, uma ave de 800 gramas, maior que uma gaivota, que podemos observar na Madeira, e que é uma espécie de maratonista de migrações.A cagarra viaja todos os anos cerca de 11 mil quilómetros desde o seu lugar de nidificação, no Atlântico Norte, até África. Mas faz questão de se desviar cerca de três mil quilómetros, quase tocando a costa brasileira, até chegar ao destino.


Em 2004 uma equipa também espanhola disse na “Science” que é o vento que determina a distribuição geográfica das espécies de líquenes e musgos, após terem constatado que lugares apartados por oito mil quilómetros partilhavam espécies que regiões vizinhas não tinham. Concluíram então que as esporas dessas espécies eram transportadas por correntes de vento.“Queríamos aprofundar o nosso conhecimento destas auto-estradas de vento. Mas era difícil seguir esporas de musgos”. Foi então que optaram por escolher como modelo de estudo a cagarra (“Calonectris diomedea”), explica Jesus Muñoz, um dos elementos da equipa.Com a ajuda do satélite QuikSCAT, da Agência Espacial Norte-Americana, NASA e com geolocalizadores de 10 gramas apenas, os investigadores verificaram que os três mil quilómetros a mais feitos pelas cagarras se traduzem na sua sobrevivência uma vez que dspenderiam muito mais energia a contrariar correntes fortes das Canárias à costa africana, tal como verificaram os marinheiros portugueses sobre as correntes inavegáveis na mesma costa.


Basta à cagarra aproveitar os ventos e pairar no ar, como um surfista na onda, poupando energia na viagem.Os resultados da investigação podem ajudar na investigação das rotas de aves, de esporas de fungos, como em epidemiologia, para evitar a propagação de agentes patológicos, frisa a equipa. “É um trabalho sobre tudo aquilo que se move sobre o Atlântico”. E pode até ser útil para a aviação, uma vez que é sabido que os voos da Europa para a América se desviam a norte para aproveitar correntes frias que se deslocam para oeste e assim poupar combustível.



Jan Kubelik plays "Zephyr" by Hubay